Acabei de receber a notícia de que a Pra. Débora Quiles estará "assumindo dia 02 de janeiro de 2012, o ministério pastoral na área de mulheres e adolescentes na IPI de Dourados".
A notícia me deixou profundamente triste. Não porque a pastora vai ministrar em outra denominação, em Mato Grosso do Sul, mas porque o fato comprova, mais uma vez, a falta de espaço e oportunidades para as pastoras batistas da CBB. Ela não é a primeira que vai pastorear fora das igrejas batistas. Há muito tempo isso acontece devido à intolerância e hostilidade da denominação batista que não abre espaço para as pastoras, não trabalha na mentalidade, não faz um trabalho de conscientização.
A Pra. Debora Quiles, em seu facebook, escreve: "Louvo de todo o meu coração a Deus, por toda a história que ele escreveu na minha vida e de minha família na denominação batista e sempre os amarei... Eu sou chamada para pertencer ao Reino... ao meu Deus... sempre estarei onde Ele me colocar... sempre entrarei nas portas que ele abrir".
Hoje, praticamente uma pastora só é considerada assim na igreja em que ela foi ordenada. Em quase a maioria absoluta das igrejas, as mulheres não são consideradas para sucessão ou para fazerem parte da equipe pastoral.
Na minha visão, isso acontece:
- a negação da realidade de que há pastoras;
- a falta de conscientização e sensibilização para a mudança de mentalidade das igrejas;
- a hostilidade e rejeição declaradas da OPBB que insiste em não legitimar as pastoras;
- o machismo da teologia média das igrejas e pastores;
- a falta de apoio da UFMBB para a conscientização das mulheres da CBB, um dos redutos mais resistentes às pastoras;
Acrescento ainda que os que apoiam a ordenação feminina ficam em silêncio, fazem tudo reservadamente e muitas vezes não têm a visão de Reino, da necessidade de se abrir caminho para outras pastoras e outras vocacionadas. É preciso levantar a voz em um apoio claro e visível.
Enquanto o quadro não muda, perdemos pastoras! A denominação, através de suas igrejas e seminários, incentiva as vocações, oferece preparo, capacitação e depois, quando essas mulheres estão prontas, diz: não queremos vocês aqui!
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