Por que a Convenção Batista Brasileira não aceita mulheres como pastoras? Essa é uma pergunta recorrente cuja resposta nem sempre é a verdadeira. Dia desses respondi o questionário de um seminarista, que inclusive já havia entrevistado o diretor executivo da convenção batista do seu estado, que havia afirmado que a CBB não aceita pastoras. As perguntas e as respectivas respostas, que elucidam algumas dúvidas, estão a seguir:
1. Nós já temos 120 pastoras nas igrejas batistas do Brasil. O que a senhora acha?
R. – Já somos mais de 140 pastoras e acredito que muitas outras pastoras serão ordenadas porque Deus continua chamando mulheres e as igrejas têm aberto as portas para que elas possam exercer seus ministérios.
2. Mesmo sem a autorização da Convenção Batista, as pessoas continuam ordenando pastoras. O que a senhora acha no futuro, digo, daqui a cem anos.
R. A conclusão está errada. A Convenção Batista Brasileira aceita pastoras. Foi aprovado em 1999, em Serra Negra, um parecer em que a CBB reconhece que quem ordena pastoras (ou pastores) é a igreja. A CBB entende que ordenar pastores/pastoras é uma questão da igreja local e não da estrutura da CBB, tanto que eu, por exemplo, tenho, como pastora, uma coluna em O Jornal Batista (Caminhos da Mulher de Deus). Se a CBB fosse contra eu não escreveria no Jornal oficial da denominação. Portanto, se a igreja quer ordenar uma pastora a CBB não interfere e também não acha que isto é contra os princípios da CBB. Quem não aceita o ingresso das pastoras é a OPBB que é um órgão auxiliar e, mesmo assim, temos um grupo de pastoras que já tem a sua inscrição na OPBB, isto é, têm a carteira da OPBB. Acho que daqui a cem anos, e muito antes disso, esse assunto será tão normal quanto termos diaconisas em nossas igrejas hoje.
3. Os batistas ingleses ordenam as pastoras. Os nortes-americanos não. O que a senhora pensa disso?
R. Olha, os norte-americanos aceitam pastoras. Quem não aceita é a Convenção do Sul, o que é uma parte somente dos batistas dos EUA. Muitas outras convenções batistas daquele país aceitam pastoras. Os batistas ingleses já têm pastoras há muitas décadas. Acredito que a resistência ao ministério das pastoras é estritamente cultural, a uma discriminação de gênero, que permeia toda a nossa sociedade. Hoje, uma grande parte dos líderes mundiais aceitam pastoras. TRES QUARTOS DOS LÍDERES MUNDIAIS ACEITAM PASTORAS. Este artigo versa sobre o resultado surpreendente de uma pesquisa realizada com os 4.500 líderes evangélicos mundiais que participaram do Terceiro Congresso de Lausanne realizado na África do Sul, em outubro de 2010: 75% desses líderes acham que as mulheres podem ser admitidas no ministério pastoral, contra apenas 20% que acham que não. Então o mundo mudou e o pensamento a respeito das pastoras também.
4. Quando da organização da primeira igreja batista pelos missionários norte-americanos, as mulheres não podiam falar na Igreja. Em nossos dias as mulheres são pastoras. O que a senhora acha do futuro?
R. Isso foi há mais de 150 anos. Naquele tempo não havia diaconisas, líderes de igrejas, a eclesiologia era outra e a teologia estava em outro estágio. Hoje as mulheres são líderes nas igrejas independentemente de serem pastoras ou não. Hoje há uma compreensão maior, um novo olhar teológico a respeito do papel das mulhers na liderança de igrejas.
5. Os homens jovens solteiros não podiam ser pastores e agora podem. E as muheres não podem ser pastoras. O que a irmã acha disso?
R. As mulheres podem ser pastoras. O pressuposto está errado. Há uma resistência de uma parcela de pastores e igrejas. Tanto que já temos mais de 140 pastoras. E a CBB não é contra. Elas somente não podem ingressar na OPBB, ainda. Reafirmo que essas resistências não são teológicas, mas culturais.
6. Suas conclusões
R. Minha conclusão é que o ministério pastoral feminino é uma realidade irreversível. Todos os seminários, de todas as denominações, preparam as mulheres para o ministério, reconhecendo que Deus vocaciona as mulheres também. A resistência é somente ao título de pastoras porque grande parte destas vocacionadas, na prática, exerce o ministério pastoral nas igrejas. Por isso que reafirmo que é uma questão de gênero, de preconceito cultural. À medida que essas barreiras forem sendo vencidas na sociedade, também as venceremos na igreja. Se os pastores, especialmente, fossem mais ensináveis, se refletíssemos mais a respeito das tradições, se tivéssemos um estudo teológico mais sadio e se fossemos mais sensíveis à ação do Espírito Santo, as pastoras não teriam as resistências que têm.
quarta-feira, 18 de abril de 2012
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
POR QUE NÃO PODEMOS SER CONTRA A ORDENAÇÃO DE PASTORAS
O Pr. Dr. Josué Mello Salgado, de Brasília, DF, escreveu o artigo abaixo em que expõe as suas convicções a respeito do pastorado feminino. Magnifico! O título, politicamente correto na atual conjuntura, contribui com excelentes argumentos para a mudança de mentalidade no meio "protestante". Dou graças a Deus por pessoas como ele que "arriscam" suas próprias cabeças, com o devido cuidado, em favor da justiça. Lembro-me do texto de Rm 16 quando Paulo fala a respeito de Áquila e Priscila que arriscaram suas cabeças em favor de uma mudança radical de mentalidade e ação que vinha por meio do ministério de Paulo. E Priscila estava lá, as mulheres na liderança, desde o início da igreja cristã. Os grifos no texto são da editora do blog.
NEM CONTRA NEM A FAVOR *
Uma reflexão bíblico-teológica sobre a consagração de mulheres ao ministério pastoral batista
Desejamos ser fiéis à Palavra do Senhor, normativa para a nossa fé e prática, mas também não queremos com a Bíblia nas mãos compactuar com a discriminação de gênero, que também não se coaduna com a nossa fé, nem com a Palavra de Deus. Não desejamos folhear as páginas de nossa Bíblia com as mãos manchadas de sangue!
Minha posição pessoal sobre a consagração de mulheres ao ministério pastoral batista é de não ser nem a favor e nem contra. Tal posição não é de modo algum evasiva, como pretendo demonstrar, pois tem três fundamentações bíblico-teológicas:
1) A PRERROGATIVA QUANTO À CHAMADA PARA O MINISTÉRIO PASTORAL É INALIENAVELMENTE DIVINA.
Em Mateus 9:36-38 lemos que Jesus, vendo "as multidões, compadeceu-se delas, porque andavam desgarradas e errantes, como ovelhas que não têm pastor. Então disse a seus discípulos: Na verdade, a seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a Sua seara". O que Jesus ensina é que o nosso papel é rogar, e o do Senhor da seara, que obviamente não somos nós, é mandar trabalhadores.
A Declaração Doutrinária da CBB afirma em seu capítulo sobre o Ministério da Palavra: “Todos os crentes foram chamados por Deus para a salvação, para o serviço cristão, para testemunhar de Jesus Cristo e promover o Seu reino, na medida dos talentos e dos dons concedidos pelo Espírito Santo. Entretanto, Deus escolhe, chama e separa certos homens, de maneira especial, para o serviço distinto, definido e singular do ministério da Sua Palavra (grifo meu). (,,,) Quando um homem convertido dá evidências de ter sido chamado e separado por Deus para esse ministério, e de possuir as qualificações estipuladas pelas Escrituras para o seu exercício, cabe à igreja local a responsabilidade de separá-lo, formal e publicamente, em reconhecimento da vocação divina já existente e verificada em sua experiência cristã” (PACTO E COMUNHÃO. Rio de Janeiro: Convicção, 2010, p. 26 – XI – Ministério da Palavra).
Na Bíblia, na língua portuguesa, e mesmo na Declaração Doutrinária da CBB (conf. p.ex. cap. III - O Homem, pg. 18), o substantivo masculino “homem” é também usado para se referir ao ser humano, independente do gênero, masculino ou feminino.
À luz do ensino de Jesus, e também da nossa Declaração Doutrinária, questiono a nossa competência como seres humanos para decidirmos se Deus pode ou não chamar mulheres para o pastorado, pois que mandar, escolher, chamar e separar são prerrogativas exclusivamente divinas!
Nós servimos ao Deus que afirma: "Eu sou o SENHOR; este é o Meu nome; a Minha glória, pois, a outrem não darei, (Isa 42:8 ACF)". A glória de mandar, escolher, chamar e separar é somente de Deus!
2) A TEOLOGIA DA CRIAÇÃO DESAUTORIZA TANTO A SUBALTERNAÇÃO QUANTO A SUPERIORIDADE DA MULHER EM RELAÇÃO AO HOMEM.
“Disse mais o Senhor Deus: não é bom ao ser humano ser só; far-lhe-ei um socorro que lhe corresponda como uma imagem do outro lado do espelho” (tradução livre - Gênesis 2. 18). O foco do texto em epígrafe é claramente a humanidade, o ser humano genérico! Esta interpretação é evidente, tendo em vista o uso do termo hebraico adam para designar homem, abrangendo ambos os gêneros, em preferência a zakar (Gênesis 1. 27) ou iysh (Gênesis 2. 23) ambos usados exclusivamente para designar homem, gênero masculino. O termo adam ao lado de enosh (Salmo 8. 4) é, preferencialmente, termo designativo de ambos os gêneros (homem e mulher) como fica claro em Gênesis 5:1-2: "Este é o livro das gerações de Adão. No dia em que Deus criou o homem, à semelhança de Deus o fez. Homem e mulher os criou; e os abençoou e chamou o seu nome Adão (adam), no dia em que foram criados." Não é sem razão que a Bíblia judaica traduz o texto de Gênesis 2:18 assim: "Adonai, Deus, disse: Não é bom que a pessoa fique só." (Bíblia Judaica Completa: O Tanakh (AT) e a B’rit Hadashah (NT). – São Paulo: Editora Vida, 2010). Posteriormente adam passou a ser também o nome próprio do primeiro homem: Adão. Tal compreensão é fundamental para entendermos que o Deus revelado nas Escrituras não é machista e nem feminista. Ele não concentra sua atenção e preocupação sobre apenas um dos dois gêneros. Ele tem propósitos para ambos, e ambos são iguais em dignidade e essencialidade diante dEle e alvo do Seu incondicional amor e cuidado. Ambos são também “por um pouco, menor do que Deus” coroados por Ele “de glória e de honra” (Salmo 8.4). Além disso são igualmente instrumentos úteis nas mãos de Deus; há portanto uma igualdade essencial e funcional entre homem e mulher. Curto: Deus não é ginófobo! O ser humano criado é, no referido texto, alvo de um (auto) diagnóstico divino: “não é bom que o ser humano viva só”! Para Deus um ser humano que vive só, alimenta-se só, trabalha só, se diverte só, decide só e que articula sua abordagem do mundo só, sem interlocutor ou contraponto, está aquém do ideal e do projeto divino. O ser humano que vive portando-se como senhor absoluto da verdade, sem aceitar a convivência com outro como interlocutor e contraponto, preferindo o monólogo e não o diálogo, vive só! Na verdade o primeiro “não é bom” da história humana não foi direcionado ao ser humano criado por Deus, mas à existência solitária! A fim de suprir tal “existência solitária” – e há muitos que vivem assim, mesmo rodeados de uma multidão – Deus providencia a Sua solução: um socorro que lhe corresponda como uma imagem do outro lado do espelho” (hebr. etzer kenegdô).
A expressão hebraica ETZER ocorre 109 vezes no AT, em 102 versos, com 55 formas diferentes. O texto mais paradigmático do uso de etzer é com certeza I Samuel 7: 12: “Então, tomou Samuel uma pedra, e a pôs entre Mispa e Sem, e chamou o seu nome Ebenézer (hebr. eben-ha-etzer = pedra de auxílio) e disse: Até aqui nos ajudou o SENHOR. A forma do texto de Gênesis 2:18 é o substantivo comum masculino singular absoluto homônimo, e aparece 21 vezes no AT. Das 21 vezes, 4 são usadas para o ser humano, 10 para Deus, 6 abstrato ou comum e 1 vez é indefinida. A Versão Corrigida “Fiel” da Sociedade Trinitariana traduz o substantivo masculino singular ETZER de 5 maneiras: ajudadora (2), ajuda (3), socorro (9), auxílio (7) e ajudador (1). O curioso é que a tradução “ajudadora” só ocorre duas vezes, exatamente em Gênesis 2:18 e 20. Minha observação pessoal é que “ajudadora” é uma tradução que dá a idéia de subalternação, de ser a pessoa subalterna, e que a tradução “por socorro” é mais fiel ao original substantivo masculino singular.
A idéia do texto é que o homem só estava em apuros e precisava de um socorro, providenciado por Deus, como diz o Salmo 89:19 - "Pus o socorro sobre um". O livro de Eclesiastes apresenta esse socorro através do outro (4:9-12). Assim ETZER tem o sentido de auxílio, ajuda e socorro, não como inferior ou subalterno, mas exatamente ao contrário, no sentido de estar em condições de auxiliar, ajudar e socorrer quem precisa e está em condição de desvantagem (conf. II Reis 14. 26, Jó 29. 12, Salmo 30. 10, Salmo 54. 4, Salmo 72. 12). O ser humano só “estava em desvantagem e precisava de alguém que o ajudasse, o socorresse, quem o auxiliasse a viver melhor.” O outro, homem e/ou mulher, são para nós esse socorro divino para nos ajudar a não mais vivermos sós! Neste sentido eles são para nós representantes do Deus chamado largamente na Bíblia de auxílio (ETZER). Assim cumpre-se a palavra divina: “Um ao outro ajudou e ao seu companheiro disse: Esforça-te! (Isa 41:6 ARC)”.
Finalmente este socorro providenciado por Deus é qui nagad (na frente de, diante de, à frente de, em frente de). A idéia é a de um espelho no qual, ao se olhar, o ser humano vê do outro lado, outro ser humano semelhante. O homem não pôde encontrar esse outro semelhante entre os animais (Gênesis 2. 20) por isso o outro será chamado “osso dos ossos” e “carne da carne”. É da mesma matéria-prima! Ninguém precisa mais viver sozinho! Ninguém deve viver mais sozinho! Por isso Deus oferece no outro, cônjuge, irmão, irmã, pai, mãe, parente, amigo, amiga, semelhante, um socorro como companhia e/ou contraponto olhado no outro lado do espelho da vida. Por isso, “Deus faz que o solitário viva em família” (Salmo 68. 6), inclusive na família de Deus, a Igreja.
É preciso lembrar que a subalternação da mulher em relação ao homem não é fruto da teologia da criação, mas da teologia da queda. "E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a dor da tua conceição; em dor darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará" (Gênesis 3:16).
3) A TEOLOGIA DA REDENÇÃO PRECEITUA A ISONOMIA ENTRE HOMEM E MULHER.
Essa subalternação de um ser criado ao outro, identificada na teologia da queda, representa uma ruptura da igualdade essencial e funcional, desejada e criada por Deus. Em Sua oração sacerdotal, Jesus orou "para que todos sejam um" (hina pantes em osin - sendo osin verbo subjuntivo de eimi = ser). A oração de Jesus, portanto, era uma expectativa, um desejo, um sonho. Paulo, escrevendo aos Gálatas 3:28, disse: "porque todos vós sois um" (pantes gar umeis eis este - sendo este verbo indicativo de eimi = ser). A expectativa de Jesus parece ter sido realizada na Galácia. E Paulo parece oferecer uma razão para tanto: "Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus."
Em Cristo, afirmou Paulo, não há homem nem mulher, porque todos são um. Ou dito de outra forma: "Todavia, no Senhor, nem a mulher é independente do homem, nem o homem é independente da mulher" (1 Coríntios 11:11).
Há, contudo, dois textos que trazem alguma dificuldade para nós: 1 Coríntios 14:34-37 e 1 Timóteo 2:11e12. "As mulheres estejam caladas nas igrejas; porque lhes não é permitido falar; mas estejam submissas como também ordena a lei. E, se querem aprender alguma coisa, perguntem em casa a seus próprios maridos; porque é indecoroso para a mulher o falar na igreja. Porventura foi de vós que partiu a palavra de Deus? Ou veio ela somente para vós? Se alguém se considera profeta, ou espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor" (1 Coríntios 14:34-37). "A mulher aprenda em silêncio com toda a submissão (dedicação, devoção). Pois não permito que a mulher ensine (didasko), nem tenha domínio sobre o homem, mas que esteja em silêncio" (1 Timóteo 2:11e 12).
E, contudo, a Tito (2:3) Paulo escreve: "As mulheres idosas (presbutidas), semelhantemente, que sejam sérias no seu viver, como convém a santas, não caluniadoras (diabolus), não dadas a muito vinho, mestras no bem (kalo-didaskalous) (Tit 2:3 - ACF).
Sem entrar no mérito do uso de "presbutidas", obviamente da mesma raiz de “presbíteros”, Paulo diz que elas devem ensinar, ser boas mestras. Enquanto em Timóteo ele diz que não permitia que a mulher ensinasse, e em Coríntios diz que se as mulheres quisessem aprender que aprendessem em casa com os seus maridos, aqui ele diz que as “presbíteras” deviam ensinar bem, ou como Lutero, ser boas ensinadoras.
É bem verdade que o verso subsequente diz: "Para que ensinem as mulheres novas a serem prudentes, a amarem seus maridos, a amarem seus filhos” (Tit 2:4-ACF). E, contudo, a argumentação de que aqui Paulo estaria dizendo que as presbíteras deviam ensinar tão somente as mulheres mais novas, e não a homens, não explica a expressão clara e geral em 1 Timóteo: "não permito que a mulher ensine".
É bom lembrar que a única vez em que a palavra poimen, pastor, aparece se referindo a seres humanos, e mesmo assim no plural, é Ef. 4.11. Naquele texto o título é pastores-mestres (poimenas kai didaskalous). Nesse caso, ensinar (disdakalia) é a principal função de pastores (poimenas).
Como encarar o ensino Paulino, aparentemente contraditório entre o veto (Coríntios e Timóteo) às mulheres para o ensino por um lado, e, por outro lado, o imperativo (Tito) às mulheres para o ensino?
Penso que a explicação para o veto está no contexto de um pano de fundo, tanto judaico quanto grego, desfavorável à mulher (ela não era uma pessoa, mas uma coisa), à ordenação legal ("como também ordena a lei" - 1 Coríntios 14:34), bem como a posição pessoal de Paulo ("Não permito" - 1 Timóteo 2:11), que era absolutamente honesto quanto às opiniões pessoais ("não tenho mandamento do Senhor; dou, porém, o meu parecer, como quem tem alcançado misericórdia do Senhor para ser fiel" (1 Coríntios 7:25). Quanto à afirmação em 1 Coríntios 14: "Se alguém se considera profeta, ou espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor". Bem pode ser que Paulo se referisse à sujeição à lei, como "mandamentos do Senhor", e não necessariamente ao veto ao ensino feminino.
Falando sobre as mulheres na igreja, William Barclay diz: “Foi Maria de Nazaré a que deu à luz e educou ao menino Jesus; foi Maria de Magdala a primeira a ver o Senhor ressuscitado; foram quatro mulheres as que, de todos os discípulos, estiveram ao lado da cruz. Priscila com seu marido Áquila era uma mestra apreciada na igreja primitiva, uma mestra que guiou a Apolo no conhecimento da verdade (Atos 18:26). Evódia e Síntique, apesar das desavenças, eram mulheres que trabalharam no evangelho (Filipenses 4:2-3). Felipe, o evangelista, tinha quatro filhas que eram profetizas (Atos 21:9). As mulheres anciãs podiam ensinar (Tito 2:3). Paulo considerava com alta honra a Lóide e Eunice (2 Timóteo 1:5), e muitos nomes de mulheres são mencionados com alta estima em Romanos 16.
Tanto o pano de fundo judaico quanto grego era que a mulher não era uma pessoa, mas uma coisa. Assim, as orientações paulinas são normas transitórias estabelecidas para enfrentar uma situação concreta. Não devemos ler estas passagens como uma barreira à tarefa e serviço da mulher dentro da igreja; devemos fazê-lo à luz do pano de fundo judaico e da situação em uma cidade grega. Todos são aptos para servir a Cristo, Deus quer usar a todos" (El Nuevo Testamento Comentado por William Barclay. Volumen 12 I y II Timoteo, Tito y Filemon. – Argentina: La Aurora, 1983, 74-77).
CONCLUSÃO:
À luz do ensino de Jesus, e também da nossa Declaração Doutrinária, não temos, como seres humanos, competência para decidir se Deus pode ou não chamar mulheres para o pastorado, pois mandar, escolher, chamar e separar são prerrogativas exclusivamente divinas.
À luz da teologia da criação, entendemos que Deus criou homem e mulher iguais, ontológica e funcionalmente, e foram separados como socorro um ao outro, e não para existirem sós e independentes. Não fomos criados nem para independência e nem para dependência, mas para a interdependência. À luz da teologia da queda, entendemos que foi a queda que quebrou esse ideal divino.
À luz da teologia da redenção, entendemos que a expectativa divina é que a subordinação de gênero, tanto na essência quanto na funcionalidade, implantada pela queda, seja superada pela redenção.
Uma teologia bíblica da mulher indica que o critério de chamado divino nunca será o de gênero, mas sempre o critério da Sua Soberania, pois Ele chama e usa quem quer, quando quer e para o que Ele quer.
Assim não posso me manifestar nem contra e nem à favor da consagração de mulheres para o ministério pastoral batista. Sobre essa matéria só posso me render absolutamente submisso à vontade soberana de Deus que chama quem Ele quer: homem ou mulher!
SOLI DEO GLORIA
(http://pastorazenilda.blogspot.com/)
* Extraido de Vigiai (http://vigiai.net/articles.php?article_id=1338)
NEM CONTRA NEM A FAVOR *
Uma reflexão bíblico-teológica sobre a consagração de mulheres ao ministério pastoral batista
Dr. Josué Mello Salgado
Há anos o tema consagração de mulheres para o ministério pastoral ocupa as páginas de “O Jornal Batista” e o pensamento de muitos irmãos.
Desejamos ser fiéis à Palavra do Senhor, normativa para a nossa fé e prática, mas também não queremos com a Bíblia nas mãos compactuar com a discriminação de gênero, que também não se coaduna com a nossa fé, nem com a Palavra de Deus. Não desejamos folhear as páginas de nossa Bíblia com as mãos manchadas de sangue!
Minha posição pessoal sobre a consagração de mulheres ao ministério pastoral batista é de não ser nem a favor e nem contra. Tal posição não é de modo algum evasiva, como pretendo demonstrar, pois tem três fundamentações bíblico-teológicas:
1) A PRERROGATIVA QUANTO À CHAMADA PARA O MINISTÉRIO PASTORAL É INALIENAVELMENTE DIVINA.
Em Mateus 9:36-38 lemos que Jesus, vendo "as multidões, compadeceu-se delas, porque andavam desgarradas e errantes, como ovelhas que não têm pastor. Então disse a seus discípulos: Na verdade, a seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a Sua seara". O que Jesus ensina é que o nosso papel é rogar, e o do Senhor da seara, que obviamente não somos nós, é mandar trabalhadores.
A Declaração Doutrinária da CBB afirma em seu capítulo sobre o Ministério da Palavra: “Todos os crentes foram chamados por Deus para a salvação, para o serviço cristão, para testemunhar de Jesus Cristo e promover o Seu reino, na medida dos talentos e dos dons concedidos pelo Espírito Santo. Entretanto, Deus escolhe, chama e separa certos homens, de maneira especial, para o serviço distinto, definido e singular do ministério da Sua Palavra (grifo meu). (,,,) Quando um homem convertido dá evidências de ter sido chamado e separado por Deus para esse ministério, e de possuir as qualificações estipuladas pelas Escrituras para o seu exercício, cabe à igreja local a responsabilidade de separá-lo, formal e publicamente, em reconhecimento da vocação divina já existente e verificada em sua experiência cristã” (PACTO E COMUNHÃO. Rio de Janeiro: Convicção, 2010, p. 26 – XI – Ministério da Palavra).
Na Bíblia, na língua portuguesa, e mesmo na Declaração Doutrinária da CBB (conf. p.ex. cap. III - O Homem, pg. 18), o substantivo masculino “homem” é também usado para se referir ao ser humano, independente do gênero, masculino ou feminino.
À luz do ensino de Jesus, e também da nossa Declaração Doutrinária, questiono a nossa competência como seres humanos para decidirmos se Deus pode ou não chamar mulheres para o pastorado, pois que mandar, escolher, chamar e separar são prerrogativas exclusivamente divinas!
Nós servimos ao Deus que afirma: "Eu sou o SENHOR; este é o Meu nome; a Minha glória, pois, a outrem não darei, (Isa 42:8 ACF)". A glória de mandar, escolher, chamar e separar é somente de Deus!
2) A TEOLOGIA DA CRIAÇÃO DESAUTORIZA TANTO A SUBALTERNAÇÃO QUANTO A SUPERIORIDADE DA MULHER EM RELAÇÃO AO HOMEM.
“Disse mais o Senhor Deus: não é bom ao ser humano ser só; far-lhe-ei um socorro que lhe corresponda como uma imagem do outro lado do espelho” (tradução livre - Gênesis 2. 18). O foco do texto em epígrafe é claramente a humanidade, o ser humano genérico! Esta interpretação é evidente, tendo em vista o uso do termo hebraico adam para designar homem, abrangendo ambos os gêneros, em preferência a zakar (Gênesis 1. 27) ou iysh (Gênesis 2. 23) ambos usados exclusivamente para designar homem, gênero masculino. O termo adam ao lado de enosh (Salmo 8. 4) é, preferencialmente, termo designativo de ambos os gêneros (homem e mulher) como fica claro em Gênesis 5:1-2: "Este é o livro das gerações de Adão. No dia em que Deus criou o homem, à semelhança de Deus o fez. Homem e mulher os criou; e os abençoou e chamou o seu nome Adão (adam), no dia em que foram criados." Não é sem razão que a Bíblia judaica traduz o texto de Gênesis 2:18 assim: "Adonai, Deus, disse: Não é bom que a pessoa fique só." (Bíblia Judaica Completa: O Tanakh (AT) e a B’rit Hadashah (NT). – São Paulo: Editora Vida, 2010). Posteriormente adam passou a ser também o nome próprio do primeiro homem: Adão. Tal compreensão é fundamental para entendermos que o Deus revelado nas Escrituras não é machista e nem feminista. Ele não concentra sua atenção e preocupação sobre apenas um dos dois gêneros. Ele tem propósitos para ambos, e ambos são iguais em dignidade e essencialidade diante dEle e alvo do Seu incondicional amor e cuidado. Ambos são também “por um pouco, menor do que Deus” coroados por Ele “de glória e de honra” (Salmo 8.4). Além disso são igualmente instrumentos úteis nas mãos de Deus; há portanto uma igualdade essencial e funcional entre homem e mulher. Curto: Deus não é ginófobo! O ser humano criado é, no referido texto, alvo de um (auto) diagnóstico divino: “não é bom que o ser humano viva só”! Para Deus um ser humano que vive só, alimenta-se só, trabalha só, se diverte só, decide só e que articula sua abordagem do mundo só, sem interlocutor ou contraponto, está aquém do ideal e do projeto divino. O ser humano que vive portando-se como senhor absoluto da verdade, sem aceitar a convivência com outro como interlocutor e contraponto, preferindo o monólogo e não o diálogo, vive só! Na verdade o primeiro “não é bom” da história humana não foi direcionado ao ser humano criado por Deus, mas à existência solitária! A fim de suprir tal “existência solitária” – e há muitos que vivem assim, mesmo rodeados de uma multidão – Deus providencia a Sua solução: um socorro que lhe corresponda como uma imagem do outro lado do espelho” (hebr. etzer kenegdô).
A expressão hebraica ETZER ocorre 109 vezes no AT, em 102 versos, com 55 formas diferentes. O texto mais paradigmático do uso de etzer é com certeza I Samuel 7: 12: “Então, tomou Samuel uma pedra, e a pôs entre Mispa e Sem, e chamou o seu nome Ebenézer (hebr. eben-ha-etzer = pedra de auxílio) e disse: Até aqui nos ajudou o SENHOR. A forma do texto de Gênesis 2:18 é o substantivo comum masculino singular absoluto homônimo, e aparece 21 vezes no AT. Das 21 vezes, 4 são usadas para o ser humano, 10 para Deus, 6 abstrato ou comum e 1 vez é indefinida. A Versão Corrigida “Fiel” da Sociedade Trinitariana traduz o substantivo masculino singular ETZER de 5 maneiras: ajudadora (2), ajuda (3), socorro (9), auxílio (7) e ajudador (1). O curioso é que a tradução “ajudadora” só ocorre duas vezes, exatamente em Gênesis 2:18 e 20. Minha observação pessoal é que “ajudadora” é uma tradução que dá a idéia de subalternação, de ser a pessoa subalterna, e que a tradução “por socorro” é mais fiel ao original substantivo masculino singular.
A idéia do texto é que o homem só estava em apuros e precisava de um socorro, providenciado por Deus, como diz o Salmo 89:19 - "Pus o socorro sobre um". O livro de Eclesiastes apresenta esse socorro através do outro (4:9-12). Assim ETZER tem o sentido de auxílio, ajuda e socorro, não como inferior ou subalterno, mas exatamente ao contrário, no sentido de estar em condições de auxiliar, ajudar e socorrer quem precisa e está em condição de desvantagem (conf. II Reis 14. 26, Jó 29. 12, Salmo 30. 10, Salmo 54. 4, Salmo 72. 12). O ser humano só “estava em desvantagem e precisava de alguém que o ajudasse, o socorresse, quem o auxiliasse a viver melhor.” O outro, homem e/ou mulher, são para nós esse socorro divino para nos ajudar a não mais vivermos sós! Neste sentido eles são para nós representantes do Deus chamado largamente na Bíblia de auxílio (ETZER). Assim cumpre-se a palavra divina: “Um ao outro ajudou e ao seu companheiro disse: Esforça-te! (Isa 41:6 ARC)”.
Finalmente este socorro providenciado por Deus é qui nagad (na frente de, diante de, à frente de, em frente de). A idéia é a de um espelho no qual, ao se olhar, o ser humano vê do outro lado, outro ser humano semelhante. O homem não pôde encontrar esse outro semelhante entre os animais (Gênesis 2. 20) por isso o outro será chamado “osso dos ossos” e “carne da carne”. É da mesma matéria-prima! Ninguém precisa mais viver sozinho! Ninguém deve viver mais sozinho! Por isso Deus oferece no outro, cônjuge, irmão, irmã, pai, mãe, parente, amigo, amiga, semelhante, um socorro como companhia e/ou contraponto olhado no outro lado do espelho da vida. Por isso, “Deus faz que o solitário viva em família” (Salmo 68. 6), inclusive na família de Deus, a Igreja.
É preciso lembrar que a subalternação da mulher em relação ao homem não é fruto da teologia da criação, mas da teologia da queda. "E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a dor da tua conceição; em dor darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará" (Gênesis 3:16).
3) A TEOLOGIA DA REDENÇÃO PRECEITUA A ISONOMIA ENTRE HOMEM E MULHER.
Essa subalternação de um ser criado ao outro, identificada na teologia da queda, representa uma ruptura da igualdade essencial e funcional, desejada e criada por Deus. Em Sua oração sacerdotal, Jesus orou "para que todos sejam um" (hina pantes em osin - sendo osin verbo subjuntivo de eimi = ser). A oração de Jesus, portanto, era uma expectativa, um desejo, um sonho. Paulo, escrevendo aos Gálatas 3:28, disse: "porque todos vós sois um" (pantes gar umeis eis este - sendo este verbo indicativo de eimi = ser). A expectativa de Jesus parece ter sido realizada na Galácia. E Paulo parece oferecer uma razão para tanto: "Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus."
Em Cristo, afirmou Paulo, não há homem nem mulher, porque todos são um. Ou dito de outra forma: "Todavia, no Senhor, nem a mulher é independente do homem, nem o homem é independente da mulher" (1 Coríntios 11:11).
Há, contudo, dois textos que trazem alguma dificuldade para nós: 1 Coríntios 14:34-37 e 1 Timóteo 2:11e12. "As mulheres estejam caladas nas igrejas; porque lhes não é permitido falar; mas estejam submissas como também ordena a lei. E, se querem aprender alguma coisa, perguntem em casa a seus próprios maridos; porque é indecoroso para a mulher o falar na igreja. Porventura foi de vós que partiu a palavra de Deus? Ou veio ela somente para vós? Se alguém se considera profeta, ou espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor" (1 Coríntios 14:34-37). "A mulher aprenda em silêncio com toda a submissão (dedicação, devoção). Pois não permito que a mulher ensine (didasko), nem tenha domínio sobre o homem, mas que esteja em silêncio" (1 Timóteo 2:11e 12).
E, contudo, a Tito (2:3) Paulo escreve: "As mulheres idosas (presbutidas), semelhantemente, que sejam sérias no seu viver, como convém a santas, não caluniadoras (diabolus), não dadas a muito vinho, mestras no bem (kalo-didaskalous) (Tit 2:3 - ACF).
Sem entrar no mérito do uso de "presbutidas", obviamente da mesma raiz de “presbíteros”, Paulo diz que elas devem ensinar, ser boas mestras. Enquanto em Timóteo ele diz que não permitia que a mulher ensinasse, e em Coríntios diz que se as mulheres quisessem aprender que aprendessem em casa com os seus maridos, aqui ele diz que as “presbíteras” deviam ensinar bem, ou como Lutero, ser boas ensinadoras.
É bem verdade que o verso subsequente diz: "Para que ensinem as mulheres novas a serem prudentes, a amarem seus maridos, a amarem seus filhos” (Tit 2:4-ACF). E, contudo, a argumentação de que aqui Paulo estaria dizendo que as presbíteras deviam ensinar tão somente as mulheres mais novas, e não a homens, não explica a expressão clara e geral em 1 Timóteo: "não permito que a mulher ensine".
É bom lembrar que a única vez em que a palavra poimen, pastor, aparece se referindo a seres humanos, e mesmo assim no plural, é Ef. 4.11. Naquele texto o título é pastores-mestres (poimenas kai didaskalous). Nesse caso, ensinar (disdakalia) é a principal função de pastores (poimenas).
Como encarar o ensino Paulino, aparentemente contraditório entre o veto (Coríntios e Timóteo) às mulheres para o ensino por um lado, e, por outro lado, o imperativo (Tito) às mulheres para o ensino?
Penso que a explicação para o veto está no contexto de um pano de fundo, tanto judaico quanto grego, desfavorável à mulher (ela não era uma pessoa, mas uma coisa), à ordenação legal ("como também ordena a lei" - 1 Coríntios 14:34), bem como a posição pessoal de Paulo ("Não permito" - 1 Timóteo 2:11), que era absolutamente honesto quanto às opiniões pessoais ("não tenho mandamento do Senhor; dou, porém, o meu parecer, como quem tem alcançado misericórdia do Senhor para ser fiel" (1 Coríntios 7:25). Quanto à afirmação em 1 Coríntios 14: "Se alguém se considera profeta, ou espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor". Bem pode ser que Paulo se referisse à sujeição à lei, como "mandamentos do Senhor", e não necessariamente ao veto ao ensino feminino.
Falando sobre as mulheres na igreja, William Barclay diz: “Foi Maria de Nazaré a que deu à luz e educou ao menino Jesus; foi Maria de Magdala a primeira a ver o Senhor ressuscitado; foram quatro mulheres as que, de todos os discípulos, estiveram ao lado da cruz. Priscila com seu marido Áquila era uma mestra apreciada na igreja primitiva, uma mestra que guiou a Apolo no conhecimento da verdade (Atos 18:26). Evódia e Síntique, apesar das desavenças, eram mulheres que trabalharam no evangelho (Filipenses 4:2-3). Felipe, o evangelista, tinha quatro filhas que eram profetizas (Atos 21:9). As mulheres anciãs podiam ensinar (Tito 2:3). Paulo considerava com alta honra a Lóide e Eunice (2 Timóteo 1:5), e muitos nomes de mulheres são mencionados com alta estima em Romanos 16.
Tanto o pano de fundo judaico quanto grego era que a mulher não era uma pessoa, mas uma coisa. Assim, as orientações paulinas são normas transitórias estabelecidas para enfrentar uma situação concreta. Não devemos ler estas passagens como uma barreira à tarefa e serviço da mulher dentro da igreja; devemos fazê-lo à luz do pano de fundo judaico e da situação em uma cidade grega. Todos são aptos para servir a Cristo, Deus quer usar a todos" (El Nuevo Testamento Comentado por William Barclay. Volumen 12 I y II Timoteo, Tito y Filemon. – Argentina: La Aurora, 1983, 74-77).
CONCLUSÃO:
À luz do ensino de Jesus, e também da nossa Declaração Doutrinária, não temos, como seres humanos, competência para decidir se Deus pode ou não chamar mulheres para o pastorado, pois mandar, escolher, chamar e separar são prerrogativas exclusivamente divinas.
À luz da teologia da criação, entendemos que Deus criou homem e mulher iguais, ontológica e funcionalmente, e foram separados como socorro um ao outro, e não para existirem sós e independentes. Não fomos criados nem para independência e nem para dependência, mas para a interdependência. À luz da teologia da queda, entendemos que foi a queda que quebrou esse ideal divino.
À luz da teologia da redenção, entendemos que a expectativa divina é que a subordinação de gênero, tanto na essência quanto na funcionalidade, implantada pela queda, seja superada pela redenção.
Uma teologia bíblica da mulher indica que o critério de chamado divino nunca será o de gênero, mas sempre o critério da Sua Soberania, pois Ele chama e usa quem quer, quando quer e para o que Ele quer.
Assim não posso me manifestar nem contra e nem à favor da consagração de mulheres para o ministério pastoral batista. Sobre essa matéria só posso me render absolutamente submisso à vontade soberana de Deus que chama quem Ele quer: homem ou mulher!
SOLI DEO GLORIA
(http://pastorazenilda.blogspot.com/)
* Extraido de Vigiai (http://vigiai.net/articles.php?article_id=1338)
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
AS PASTORAS E A SUPOSTA UNIDADE
Nada pode ameaçar a unidade batista. Esse é o discurso recorrente quando se trata do reconhecimento das pastoras e a inscrição delas na OPBB. Não se pode "magoar" os pastores que não aceitam pastoras. E o fantasma da divisão? Ele é sempre invocado quando se trata das pastoras. A atitude da vez é ignorá-las, conversar e refletir sobre pastorado feminino como se as pastoras não existissem e não tivessem que participar da mesa do diálogo.
Os grandes senhores, mandatários dessa denominação, têm pastoras em suas igrejas, ainda que não ordenadas, mas com ações pastorais (para que uma mulher iria querer o reconhecimento?), e elas, por sua vez, submetem-se a essa espera indefinida, porque do contrário, para onde iriam? Que caminhos teriam para o ministério?
A grande manobra da vez é, para não ter que serem acusados de machistas, valorizarem as mulheres "leigas", enquanto o "clero" masculino jamais abre mão para mensagens de homens "leigos". Nada de mais. Acho que o chamado "leigo", homens e mulheres, deve fazer parte do total das nossas instruções e mensagens, mas por que só "leigas" mulheres?
É interessante que acham que qualquer lider mulher da nossa denominação pode substituir a ação de uma pastora. No entanto, jamais acham que um homem leigo substitui um pastor.
E a tal unidade? Na reunião da CBB em Foz, aconteceram várias coisas que não são unanimidade em nossa denominação e causam muita polêmica. Para mim, tudo que aconteceu foi excelente e inspirador, mas ninguém pensou na unidade naqueles momentos.
O único assunto que ameaça a unidade são as pastoras e por isso são encaradas com falta de respeito e ética cristãs?
Qualquer seminarista, de maneira geral, se acha melhor que uma pastora de anos de ministério.
Qualquer homem é ordenado antes mesmo de concluir o Seminário e há pastoras com mais de seis anos de ministério reconhecido que não consegue um pastor que queira assumir sua ordenação.
Qualquer seminarista, ainda que sem igreja, pode ter sua inscrição na OPBB e o reconhecimento de suas igrejas. No entanto, qualquer um acha-se no direito de ofender e humilhar qualquer pastora pelo fato de elas não serem aceitas na Ordem e a CBB não ter uma divulgação clara e ampla de seu posicionamento em relação ãs pastoras.
Qualquer homem e pastor dessa denominação acha que pode indicar o caminho das pastoras. No entanto, as pastoras não são chamadas ao diálogo.
Que denominação é essa? Que integridade é essa? Que valorização da Palavra é essa?
A atitude com as pastoras não é valorização do princípio da unidade, mas da tradição, do machismo, da supremacia masculina e do orgulho arraigado no coração que prefere valorizar o poder ao invés das pessoas.
Os grandes senhores, mandatários dessa denominação, têm pastoras em suas igrejas, ainda que não ordenadas, mas com ações pastorais (para que uma mulher iria querer o reconhecimento?), e elas, por sua vez, submetem-se a essa espera indefinida, porque do contrário, para onde iriam? Que caminhos teriam para o ministério?
A grande manobra da vez é, para não ter que serem acusados de machistas, valorizarem as mulheres "leigas", enquanto o "clero" masculino jamais abre mão para mensagens de homens "leigos". Nada de mais. Acho que o chamado "leigo", homens e mulheres, deve fazer parte do total das nossas instruções e mensagens, mas por que só "leigas" mulheres?
É interessante que acham que qualquer lider mulher da nossa denominação pode substituir a ação de uma pastora. No entanto, jamais acham que um homem leigo substitui um pastor.
E a tal unidade? Na reunião da CBB em Foz, aconteceram várias coisas que não são unanimidade em nossa denominação e causam muita polêmica. Para mim, tudo que aconteceu foi excelente e inspirador, mas ninguém pensou na unidade naqueles momentos.
O único assunto que ameaça a unidade são as pastoras e por isso são encaradas com falta de respeito e ética cristãs?
Qualquer seminarista, de maneira geral, se acha melhor que uma pastora de anos de ministério.
Qualquer homem é ordenado antes mesmo de concluir o Seminário e há pastoras com mais de seis anos de ministério reconhecido que não consegue um pastor que queira assumir sua ordenação.
Qualquer seminarista, ainda que sem igreja, pode ter sua inscrição na OPBB e o reconhecimento de suas igrejas. No entanto, qualquer um acha-se no direito de ofender e humilhar qualquer pastora pelo fato de elas não serem aceitas na Ordem e a CBB não ter uma divulgação clara e ampla de seu posicionamento em relação ãs pastoras.
Qualquer homem e pastor dessa denominação acha que pode indicar o caminho das pastoras. No entanto, as pastoras não são chamadas ao diálogo.
Que denominação é essa? Que integridade é essa? Que valorização da Palavra é essa?
A atitude com as pastoras não é valorização do princípio da unidade, mas da tradição, do machismo, da supremacia masculina e do orgulho arraigado no coração que prefere valorizar o poder ao invés das pessoas.
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
UMA DENOMINAÇÃO QUE PERDE SUAS PASTORAS
Acabei de receber a notícia de que a Pra. Débora Quiles estará "assumindo dia 02 de janeiro de 2012, o ministério pastoral na área de mulheres e adolescentes na IPI de Dourados".
A notícia me deixou profundamente triste. Não porque a pastora vai ministrar em outra denominação, em Mato Grosso do Sul, mas porque o fato comprova, mais uma vez, a falta de espaço e oportunidades para as pastoras batistas da CBB. Ela não é a primeira que vai pastorear fora das igrejas batistas. Há muito tempo isso acontece devido à intolerância e hostilidade da denominação batista que não abre espaço para as pastoras, não trabalha na mentalidade, não faz um trabalho de conscientização.
A Pra. Debora Quiles, em seu facebook, escreve: "Louvo de todo o meu coração a Deus, por toda a história que ele escreveu na minha vida e de minha família na denominação batista e sempre os amarei... Eu sou chamada para pertencer ao Reino... ao meu Deus... sempre estarei onde Ele me colocar... sempre entrarei nas portas que ele abrir".
Hoje, praticamente uma pastora só é considerada assim na igreja em que ela foi ordenada. Em quase a maioria absoluta das igrejas, as mulheres não são consideradas para sucessão ou para fazerem parte da equipe pastoral.
Na minha visão, isso acontece:
- a negação da realidade de que há pastoras;
- a falta de conscientização e sensibilização para a mudança de mentalidade das igrejas;
- a hostilidade e rejeição declaradas da OPBB que insiste em não legitimar as pastoras;
- o machismo da teologia média das igrejas e pastores;
- a falta de apoio da UFMBB para a conscientização das mulheres da CBB, um dos redutos mais resistentes às pastoras;
Acrescento ainda que os que apoiam a ordenação feminina ficam em silêncio, fazem tudo reservadamente e muitas vezes não têm a visão de Reino, da necessidade de se abrir caminho para outras pastoras e outras vocacionadas. É preciso levantar a voz em um apoio claro e visível.
Enquanto o quadro não muda, perdemos pastoras! A denominação, através de suas igrejas e seminários, incentiva as vocações, oferece preparo, capacitação e depois, quando essas mulheres estão prontas, diz: não queremos vocês aqui!
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segunda-feira, 27 de junho de 2011
PASTORES, DIALOGUEM COM AS MULHERES VOCACIONADAS AO MINISTÉRIO PASTORAL!
Uma reflexão sobre como homens vocacionados por Deus para o ministério podem ser agentes de milagres na história da ordenação pastoral feminina dos batistas brasileiros.
*Pr. Fernando de Oliveira Cintra
“Ora, uma dentre as mulheres dos filhos dos profetas clamou a Eliseu, dizendo: Meu marido, teu servo, morreu; e tu sabes que o teu servo temia ao Senhor. Agora acaba de chegar o credor para levar-me os meus dois filhos para serem escravos.
Perguntou-lhe Eliseu: Que te hei de fazer? Dize-me o que tens em casa. E ela disse: Tua serva não tem nada em casa, senão uma botija de azeite
Disse-lhe ele: Vai, pede emprestadas vasilhas a todos os teus vizinhos, vasilhas vazias, não poucas.
Depois entra, e fecha a porta sobre ti e sobre teus filhos; deita azeite em todas essas vasilhas, e põe à parte a que estiver cheia.
Então ela se apartou dele. Depois, fechada a porta sobre si e sobre seus filhos, estes lhe chegavam as vasilhas, e ela as enchia.
Cheias que foram as vasilhas, disse a seu filho: Chega-me ainda uma vasilha. Mas ele respondeu: Não há mais vasilha nenhuma. Então o azeite parou.
Veio ela, pois, e o fez saber ao homem de Deus. Disse-lhe ele: Vai, vende o azeite, e paga a tua dívida; e tu e teus filhos vivei do resto.” (II Reis 4.1-7).
A história é simples. Dois filhos de uma viúva serão vendidos como escravos para pagar as dívidas dela. A mulher suplica que Eliseu a ajude. Ele a ouve e fala o que Deus deseja que ela faça. Ela ouve e faz o que o profeta diz. Deus a abençoa por confiar em Sua palavra e multiplica o azeite que ela tem. Ela vende o azeite, paga suas contas e seus filhos não são vendidos como escravos.
As lições são diversas. Quero apenas refletir neste artigo a respeito do procedimento de Eliseu mediante a crise vivenciada por esta mulher e sua família, traçando uma ponte hermenêutica para a situação em que se encontram as pastoras não reconhecidas pela OPBB.
Ele começou um diálogo que geraria um milagre.
Eliseu nos mostra que diante de uma causa, de uma aflição, de uma situação limite o que se deve fazer é criar um espaço de diálogo expressado através de perguntas, no caso dele, “Que te hei de fazer?”
Tenho percebido nesta jornada da ordenação feminina batista brasileira que um grupo expressivo de pastores, alguns até bem intencionados, querem dar respostas às irmãs que desejam ser pastoras sem ouvi-las, sem conversarem, buscando elementos para subsidiarem soluções em suas causas. A própria instituição OPBB é hermeticamente fechada a qualquer tipo de diálogo. Este procedimento traz pelo menos dois grandes riscos. O primeiro deles é os pastores acharem que possuem todas as respostas e que podem sozinhos resolver todas as questões; o segundo é "as mulheres de Deus", não podendo dialogar com os pastores, caminharem sozinhas buscando outras opções que não sejam em parceria com “homens de Deus”, o que seria uma perda irreparável.
Na verdade, o caminho sempre deve começar com o diálogo. Etimologicamente diálogo é a discussão ou troca de idéias, conceitos, opiniões objetivando a solução de problemas e a harmonia. Na prática, a importância do diálogo está no fato de estabelecer relacionamentos não hierárquicos, mas no mesmo nível de igualdade ainda que cada um tenha expressões singulares em suas ações ministeriais. Elas precisam do diálogo com os pastores. Elas precisam falar não ao ar, mas com pessoas que possuem a mesma vocação, dores e alegria. Falar do que possuem, pouco ou nada, mas precisam verbalizar para que se sintam parte do processo e, ao mesmo tempo, precisam ser ouvidas pelos pastores que possuem maior experiência nos caminhos da ordenação sacerdotal, pastoral.
Voltando a história, o diálogo não foi estéril, mas gerou atitude da parte do profeta. Ele, percebendo toda a situação a partir da própria visão da mulher, vai agora apontar um caminho. Interessante que é um caminho solidário, comunitário e não de percurso solitário. Ela precisa ir a cada uma de suas vizinhas e contar com a ajuda delas.
A solução se dá novamente por diálogo, ajuda mútua e a comunidade. As vasilhas são doadas, o azeite é colocado, é vendido e o que estava em desordem entrou em ordem. O milagre aconteceu.
Quando acontece o diálogo há a possibilidade do milagre.
Os pastores de hoje podem ser como um Eliseu nas vidas das pastoras. Pastores que acreditam na causa defendida por elas; pastores que facilitem o caminho de mulheres vocacionadas ao ministério pastoral e encaminhem a consagração; pastores que também contem com a ajuda de pastoras em seus ministérios; pastores que percebem filhas, parentes e mulheres vocacionadas em suas igrejas e as incentivem na formação e ministério; pastores mestres que, atuando em seminários e faculdades teológicas, detectam na vida de suas alunas a expressão da vocação pastoral e as respeitem; pastores escritores e teólogos que exercem uma hermenêutica não fundamentalista, mas bíblica contemporânea e não tenham receio de se expor apoiando o ministério pastoral feminino; e, por que não dizer, a liderança da OPBB, já que a instituição tem pastoras em seus quadros, abrindo um caminho de diálogo com elas e não tratando-as com desprezo como tem acontecido na maioria das vezes até aqui.
Creio que se pastoras e pastores dialogarem em todos os níveis eclesiásticos novos rumos serão tomados e, com certeza, o final da história será melhor do que o início e a obra de Deus entre o seu povo será glorificada.
* Pastor titular da Igreja Batista Esperança, Brasília, DF. Texto extraido do blog Fernando Cintra Blog
sexta-feira, 10 de junho de 2011
DIA DA PASTORA BATISTA 2011
sexta-feira, 13 de maio de 2011
COMO UMA IGREJA PODE CONSAGRAR UMA PASTORA APESAR DA BLINDAGEM DA OPBB
Depois da Assembleia da OPBB em Florianópolis, SC, em 2007, A Ordem tomou algumas decisões que blindaram o caminho das mulheres vocacionadas, não somente para o seu ingresso na OPBB, como também, mais grave ainda, para a sua consagração ao ministério pastoral por uma igreja local.
Em que consiste essa blindagem da OPBB?
1. A OPBB decidiu que a emissão das carteiras dos pastores seria pela sua administração nacional, o que chamarei aqui de OPBB nacional. Até então as OPBBs estaduais/regionais emitiam as carteiras. Assim, foi possível as pastoras filiarem-se à OPBB naquelas secções que aceitavam pastoras. São essas pastoras que hoje podem ter a carteira da Ordem porque tiveram seus direitos adquiridos reconhecidos pela assembleia da OPBB em Cuiabá, em 2010. Hoje isso não é mais possível, inclusive nos locais onde as secções aceitam pastoras.
2. A OPBB proibiu as suas secções de participarem do concílio de pastoras, com o risco de que seus executivos fossem encaminhados para a comissão de ética. O que isso significa na prática? Os executivos das secções fizeram a leitura, conveniente, de que os pastores não poderiam participar de concílio de pastoras e não a instituição, isto é, a secção oficialmente. Então eles orientam os seus pastores a não participarem e alguns até os ameaçam de os conduzirem à “inquisição”, digo, as comissões de ética da Ordem.
3. A orientação da OPBB é que as igrejas, quando decidem consagrar um candidato, peçam à secção da Ordem a organização do concílio. Então o que acontece? As igrejas quando querem ordenar uma pastora solicitam a participação da secção da Ordem que, ainda que concorde com a ordenação de pastoras, está proibida de examinar candidatas. Isso significa que os concílios de mulheres estão suspensos em muitos lugares do país aguardando a decisão da Ordem.
4. A OPBB insiste em não mencionar as pastoras em suas publicações, estatísticas e convocações. A justificativa é que as pastoras serão tratadas da mesma forma que os pastores. Como assim? Se fosse assim, se as pastoras fossem tratadas da mesma forma que os pastores, todas poderiam ingressar na Ordem. Insistir em não usar linguagem inclusiva, em não registrar a presença das pastoras é uma manobra para ignorar a presença e contribuição do ministério pastoral feminino na obra batista e retardar a decisão do ingresso das pastoras. Na última Assembleia, em Niterói 2011, a OPBB nacional retirou no vídeo que foi vendido da mensagem oficial, o trecho em que o Pr. Carlito Paes falava de pastoras e não permitiram que no Regimento o termo “pastora” fosse inserido. A linguagem inclusiva é necessária neste momento.
O que igrejas e mulheres vocacionadas ao ministério pastoral podem fazer:
1. Apesar de entendermos o cuidado da Ordem com a qualidade do ministério pastoral batista, a ordenação de candidatos ao ministério pastoral é decisão da igreja, que é autônoma para assim fazer. Então, se a secção não quer participar do Concílio, a igreja mesmo pode promovê-lo sem que com isso esteja infringindo normas e ela não pode ser ameaçada por isso, isto é, de que será excluída da Convenção e etc. Isso não acontecerá.
2. Os pastores são livres para participar de concílios de pastoras. Não há, e nem poderia haver, nenhuma decisão da CBB ou OPBB que proíba um pastor de participar do concílio de uma pastora. Quem está proibida é a secção da OPBB como instituição e não os pastores que são livres, como realmente têm que ser. Então a igreja deve fazer os convites particularmente a cada pastor que ela deseja que esteja no concílio e esclarecer o que for necessário.
3. A CBB, em parecer aprovado em diversas assembleias, reconhece que a ordenação de pastoras é uma decisão da igreja local. Isto é, se uma igreja quer ordenar uma mulher para o ministério pastoral ela é livre para assim fazer, sem que esteja infringindo nenhuma norma ou esteja deixando de ser uma igreja batista como é o argumento ameaçador em muitos lugares do Brasil. A única questão é que esta pastora, por enquanto, não será filiada à OPBB, que ainda não aceita pastoras.
4. Se possível, quando for ordenar uma pastora, a igreja deve observar os critérios estabelecidos pela OPBB e CBB. A CBB tem publicado um livreto que dá todas as orientações. Para ser filiada à OPBB no futuro, caso queira, a pastora precisará estar com seu processo em acordo com as orientações, inclusive a ata do concílio assinada por sete pastores que tenham registro da OPBB. Então, quando possível, seria bom que os documentos estivessem de acordo com as normas estabelecidas pela CBB e OPBB para um futuro ingresso na OPBB.
Já temos mais de 100 pastoras nas igrejas das CBB e muitas candidatas esperando o momento que julgam oportuno, isto é, esperam a aprovação pela OPBB da filiação de pastoras, na maioria dos casos porque suas igrejas e seus pastores não querem causar nenhum constrangimento com as OPBBs regionais/estaduais. Infelizmente, a OPBB nacional se prevalece do respeito e consideração das igrejas para protelar essa decisão e querer impor preconceitos, com roupagem de interpretação bíblica, no ministério pastoral batista.
Que igrejas, pastores e mulheres chamadas por Deus sejam corajosos neste tempo para fazer prevalecer a vontade de Deus. Que rompam barreiras, fortalezas e obedeçam a vontade de Deus
(Pastora Zenilda Reggiani Cintra, http://pastorazenilda.blogspot.com/, maio/2011)
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| Pra. Diana Flávia, Pra. Marli Terezinha e Pra. Zenilda Cintra na Assembleia da OPBB |
Em que consiste essa blindagem da OPBB?
1. A OPBB decidiu que a emissão das carteiras dos pastores seria pela sua administração nacional, o que chamarei aqui de OPBB nacional. Até então as OPBBs estaduais/regionais emitiam as carteiras. Assim, foi possível as pastoras filiarem-se à OPBB naquelas secções que aceitavam pastoras. São essas pastoras que hoje podem ter a carteira da Ordem porque tiveram seus direitos adquiridos reconhecidos pela assembleia da OPBB em Cuiabá, em 2010. Hoje isso não é mais possível, inclusive nos locais onde as secções aceitam pastoras.
2. A OPBB proibiu as suas secções de participarem do concílio de pastoras, com o risco de que seus executivos fossem encaminhados para a comissão de ética. O que isso significa na prática? Os executivos das secções fizeram a leitura, conveniente, de que os pastores não poderiam participar de concílio de pastoras e não a instituição, isto é, a secção oficialmente. Então eles orientam os seus pastores a não participarem e alguns até os ameaçam de os conduzirem à “inquisição”, digo, as comissões de ética da Ordem.
3. A orientação da OPBB é que as igrejas, quando decidem consagrar um candidato, peçam à secção da Ordem a organização do concílio. Então o que acontece? As igrejas quando querem ordenar uma pastora solicitam a participação da secção da Ordem que, ainda que concorde com a ordenação de pastoras, está proibida de examinar candidatas. Isso significa que os concílios de mulheres estão suspensos em muitos lugares do país aguardando a decisão da Ordem.
4. A OPBB insiste em não mencionar as pastoras em suas publicações, estatísticas e convocações. A justificativa é que as pastoras serão tratadas da mesma forma que os pastores. Como assim? Se fosse assim, se as pastoras fossem tratadas da mesma forma que os pastores, todas poderiam ingressar na Ordem. Insistir em não usar linguagem inclusiva, em não registrar a presença das pastoras é uma manobra para ignorar a presença e contribuição do ministério pastoral feminino na obra batista e retardar a decisão do ingresso das pastoras. Na última Assembleia, em Niterói 2011, a OPBB nacional retirou no vídeo que foi vendido da mensagem oficial, o trecho em que o Pr. Carlito Paes falava de pastoras e não permitiram que no Regimento o termo “pastora” fosse inserido. A linguagem inclusiva é necessária neste momento.
O que igrejas e mulheres vocacionadas ao ministério pastoral podem fazer:
1. Apesar de entendermos o cuidado da Ordem com a qualidade do ministério pastoral batista, a ordenação de candidatos ao ministério pastoral é decisão da igreja, que é autônoma para assim fazer. Então, se a secção não quer participar do Concílio, a igreja mesmo pode promovê-lo sem que com isso esteja infringindo normas e ela não pode ser ameaçada por isso, isto é, de que será excluída da Convenção e etc. Isso não acontecerá.
2. Os pastores são livres para participar de concílios de pastoras. Não há, e nem poderia haver, nenhuma decisão da CBB ou OPBB que proíba um pastor de participar do concílio de uma pastora. Quem está proibida é a secção da OPBB como instituição e não os pastores que são livres, como realmente têm que ser. Então a igreja deve fazer os convites particularmente a cada pastor que ela deseja que esteja no concílio e esclarecer o que for necessário.
3. A CBB, em parecer aprovado em diversas assembleias, reconhece que a ordenação de pastoras é uma decisão da igreja local. Isto é, se uma igreja quer ordenar uma mulher para o ministério pastoral ela é livre para assim fazer, sem que esteja infringindo nenhuma norma ou esteja deixando de ser uma igreja batista como é o argumento ameaçador em muitos lugares do Brasil. A única questão é que esta pastora, por enquanto, não será filiada à OPBB, que ainda não aceita pastoras.
4. Se possível, quando for ordenar uma pastora, a igreja deve observar os critérios estabelecidos pela OPBB e CBB. A CBB tem publicado um livreto que dá todas as orientações. Para ser filiada à OPBB no futuro, caso queira, a pastora precisará estar com seu processo em acordo com as orientações, inclusive a ata do concílio assinada por sete pastores que tenham registro da OPBB. Então, quando possível, seria bom que os documentos estivessem de acordo com as normas estabelecidas pela CBB e OPBB para um futuro ingresso na OPBB.
Já temos mais de 100 pastoras nas igrejas das CBB e muitas candidatas esperando o momento que julgam oportuno, isto é, esperam a aprovação pela OPBB da filiação de pastoras, na maioria dos casos porque suas igrejas e seus pastores não querem causar nenhum constrangimento com as OPBBs regionais/estaduais. Infelizmente, a OPBB nacional se prevalece do respeito e consideração das igrejas para protelar essa decisão e querer impor preconceitos, com roupagem de interpretação bíblica, no ministério pastoral batista.
Que igrejas, pastores e mulheres chamadas por Deus sejam corajosos neste tempo para fazer prevalecer a vontade de Deus. Que rompam barreiras, fortalezas e obedeçam a vontade de Deus
(Pastora Zenilda Reggiani Cintra, http://pastorazenilda.blogspot.com/, maio/2011)
quarta-feira, 11 de maio de 2011
Senado americano confirma pastora batista como embaixadora para a liberdade religiosa
Por Bob Allen (Colaboração e Tradução Pr. Sylvio Macri)
Originalmente Obama havia nomeado Suzan Johnson Cook, uma pastora ligada à Convenção Batista Americana, escritora e oradora motivacional cristã, em junho passado. O Senado deixou expirar o prazo de aprovação da nomeação, em meio a questionamentos sobre a sua falta de experiência em política internacional.
O presidente submeteu novamente a nomeação em 7 de fevereiro, e o Jornal do Congresso informou que a aprovação ocorreu 14 de abril.
Johnson Cook, fundadora e presidente da Wisdom Women Worldwide (algo como Mulheres de Sabedoria ao Redor do Mundo), um centro internacional e interreligioso para mulheres em posição de liderança, irá mudar-se de Nova York, sua cidade natal, para Washington. Seu site considerou a confirmação como uma resposta às orações.
Descrita em pelo jornal New York Times como uma “mistura de Billy Graham e Oprah Winfrey”, Johnson Cook opera sob o pseudônimo de Dra. Sujay em vários ministérios tidos como de vangaurada.
Ela fez história em 1983 como a primeira mulher a pastorear a histórica Igreja Batista Templo dos Marinheiros, em Nova York, a mais antiga igreja situada em Manhattan, pertencente à Convenção Batista Americana. Durante o seu pastorado nessa igreja, que durou 13 anos, ela manteve “A hora do almoço com poder”, cultos no meio do dia para trabalhadores municipais, do judiciário e civis.
Fundou a Igreja Comunidade Cristã do Bronx em 1996, à qual serviu como pastora titular até sua aposentadoria em 2009.
É autora de vários livros e percorreu o país com T.D. Jakes, pastor de uma mega-igreja no Texas. Foi conselheira para assuntos de política interna do Presidente Bill Clinton, e também aconselhou Obama, quando este era senador.
A posição de embaixador geral foi criado em 1998 pelo Ato sobre a Liberdade Religiosa Internacional. Sua tarefa é monitorar as violações da liberdade religiosa no exterior e aconselhar o Departamento de Estado sobre como responder às mesmas.
Líderes religiosos e políticos criticaram a demora do presidente em preencher o cargo como uma aparente indiferença a respeito do assunto.
Johnson Cook, que participou do Desjejum de Oração de Páscoa da Casa Branca, em 19 de abril, disse recentemente, no jantar para a liberdade religiosa dos Adventistas do Sétimo Dia, que é responsabilidade dos EUA e de outros países apoiar os movimentos de reforma nos governos que buscam fazer da liberdade o principio central de suas constituições
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| Suzan Johnson Cook |
Originalmente Obama havia nomeado Suzan Johnson Cook, uma pastora ligada à Convenção Batista Americana, escritora e oradora motivacional cristã, em junho passado. O Senado deixou expirar o prazo de aprovação da nomeação, em meio a questionamentos sobre a sua falta de experiência em política internacional.
O presidente submeteu novamente a nomeação em 7 de fevereiro, e o Jornal do Congresso informou que a aprovação ocorreu 14 de abril.
Johnson Cook, fundadora e presidente da Wisdom Women Worldwide (algo como Mulheres de Sabedoria ao Redor do Mundo), um centro internacional e interreligioso para mulheres em posição de liderança, irá mudar-se de Nova York, sua cidade natal, para Washington. Seu site considerou a confirmação como uma resposta às orações.
Descrita em pelo jornal New York Times como uma “mistura de Billy Graham e Oprah Winfrey”, Johnson Cook opera sob o pseudônimo de Dra. Sujay em vários ministérios tidos como de vangaurada.
Ela fez história em 1983 como a primeira mulher a pastorear a histórica Igreja Batista Templo dos Marinheiros, em Nova York, a mais antiga igreja situada em Manhattan, pertencente à Convenção Batista Americana. Durante o seu pastorado nessa igreja, que durou 13 anos, ela manteve “A hora do almoço com poder”, cultos no meio do dia para trabalhadores municipais, do judiciário e civis.
Fundou a Igreja Comunidade Cristã do Bronx em 1996, à qual serviu como pastora titular até sua aposentadoria em 2009.
É autora de vários livros e percorreu o país com T.D. Jakes, pastor de uma mega-igreja no Texas. Foi conselheira para assuntos de política interna do Presidente Bill Clinton, e também aconselhou Obama, quando este era senador.
A posição de embaixador geral foi criado em 1998 pelo Ato sobre a Liberdade Religiosa Internacional. Sua tarefa é monitorar as violações da liberdade religiosa no exterior e aconselhar o Departamento de Estado sobre como responder às mesmas.
Líderes religiosos e políticos criticaram a demora do presidente em preencher o cargo como uma aparente indiferença a respeito do assunto.
Johnson Cook, que participou do Desjejum de Oração de Páscoa da Casa Branca, em 19 de abril, disse recentemente, no jantar para a liberdade religiosa dos Adventistas do Sétimo Dia, que é responsabilidade dos EUA e de outros países apoiar os movimentos de reforma nos governos que buscam fazer da liberdade o principio central de suas constituições
quinta-feira, 7 de abril de 2011
ORDENAÇÃO FEMININA (ENTREVISTA DA REVISTA ULTIMATO)
(Revista Ultimato, Março-Abril 2011
"A ordenação feminina às funções eclesiásticas oficiosas nas igrejas do país não suscitou a comoção que se antevia, nem teve o impacto que se alardeava. As mulheres não se alvoroçaram, mostraram-se algo tímidas, comedidas, como que receosas de ferir suscetibilidades masculinas. E a vida das igrejas continuou com plena tranquilidade, sem confrontos nem sobressaltos. E a obra do evangelho no país ganhou o valioso concurso da mulher consagrada e piedosa."
por sua palavra, por seu longo magistério no Seminário Presbiteriano do Sul, em Campinas, SP, por sua vida e por sua idade (94 anos). Ele é autor da tradução clássica de As Institutas, de João Calvino, professor aposentado da UNICAMP e doutor em Filosofia do Novo Testamento pelo Princeton Theological Seminary.
Os cristãos contrários à ordenação feminina argumentam que Jesus escolheu somente homens para serem apóstolos e que o Novo Testamento não apresenta claramente mulheres em posições de autoridade. O que dizer?
De mister faz-se observar, de início, que a questão da ordenança feminina às funções eclesiásticas (diaconato, presbiterato, ministério sagrado) nem sequer é ventilada através do Novo Testamento. Jesus, tanto no caso dos doze, como, quanto parece, na chamada Missão dos Setenta, aliciou apenas homens, como, aliás, era a norma no mundo contemporâneo. Se alguma outra motivação teve ele, não a explicitou. E conjecturar a esse respeito é irrelevante. Na Palestina dos dias de Jesus não haveria lugar para matriarcado e mulher em posição de autoridade, impensável aberração.
A chefia do homem na Bíblia é mera questão cultural?
Na Bíblia, reconhecidamente, conferem-se ao homem, em detrimento da mulher, autoridade e mando incontestáveis. Não resulta este predicamento de princípios ontológicos ou metafísicos, simples questão de exercício de poder, matéria de cunho puramente cultural. Mercê da obra redentora de Cristo, cancela-se a disposição vigente e implanta-se um regime de paridade e equalização, abolidas as distinções prévias, homem e mulher a fazer jus ao mesmo “status” em Cristo. Valida-se, pois, o argumento culturalista.
Os defensores da posição antagônica ao ministério feminino ordenado parecem não considerar passagens como Joel 2.28-29 e Gálatas 3.28. Certo?
Arroubos poéticos e eclosão de júbilo de um momento especial, não asserção normativa de princípio estabelecido, Joel 2.28-29 e Gálatas 3.28 não são passagens pertinentes à questão da ordenação feminina.
A ordenação pastoral deve ser precedida pelo dom ministerial. A mulher pode receber esse dom?
Normativamente, a ordenação pastoral pressupõe o dom (ou vocação) ministerial. Seja no país, seja, e especialmente, no exterior, há muitas mulheres tendo sido, e estão sendo, ordenadas ao múnus pastoral, cujo desempenho confirma, indiscutivelmente, possuírem o indispensável dom. Portanto, a toda mulher portadora do dom, ou seja, devidamente vocacionada, a ordenação pastoral deve ser prontamente conferida. Interessante é notar-se que nossa própria Igreja Presbiteriana do Brasil, por breve período, já teve diaconisas devidamente ordenadas. Descontinuou a prática em vista da reação provocada na região nordestina, a ameaça pairando de divisão denominacional. A paz e a unidade da Igreja, graças ao Senhor, prevaleceram, felizmente.
A ordenação pastoral deve ser vista como o exercício do dom do Espírito Santo dado à Igreja ou como um ofício eclesiástico dado a uma classe de pessoas?
Em última instância, a postulação da ordenação pastoral é ambivalente, por isso que só pode ser encarada como dom conferido à Igreja, mas exercido por um corpo de oficiais possuídos de prerrogativas únicas e exclusivas. Também o pode como função eclesiástica outorgada a um núcleo ou casta de elementos contemplados com um múnus peculiar, mas encaixado no âmbito da comunidade global. Não há, propriamente, polaridade, antes, pelo contrário, conjunção.
Por trás da não-ordenação de mulheres para o diaconato, o presbiterato e especialmente o ministério pastoral, não estaria escondida uma cultura machista?
Aos espíritos mais atilados, a relutância à ordenação de mulheres ao diaconato, ao presbiterato e, especialmente, ao ministério pastoral, não estaria bem escondida, pelo contrário, escancaradamente manifesta a indisfarçável cultura machista. Nada de causar espécie. Por séculos, aliás, milênios, no perpassar das civilizações em todos os quadrantes do orbe, com raríssimas exceções, o homem tem gerido as atividades humanas de modo quase absoluto, de tal sorte que o mando se lhe tornou como que parte de sua própria natureza, a mulher marginalizada, mas ao que parece resignada, ajustada e adaptada à situação, de que tira o proveito possível. É de lamentar-se que a Igreja, baluarte da defesa dos direitos humanos, que lhe deveria esposar a causa, capitulou, servindo aos ditames do machismo. Até mesmo cristãos tidos como exemplares na fé e na conduta cedem a esse predicamento. Não haja dúvida: o machismo entorpece a consciência, embota os sentimentos, degrada a razão. A mulher, porém, está rompendo os grilhões desse predicamento e o haverá de superar. É, entretanto, uma tarefa ciclópica, de tal viés, que Hércules nenhum pode botar defeito. E o dia virá, ainda que distante, quando o machismo será somente uma triste lembrança de tempos idos... para nunca mais voltarem.
Os maiores impedimentos à ordenação das mulheres são bíblicos (exegéticos) ou culturais? Alguém era ordenado na Igreja Primitiva?
No âmbito da Igreja Primitiva, a ordenação feminina era matéria fora de cogitação, assunto nem sequer ventilado, mulher nenhuma reivindicando esse direito. Contudo, há-se de ter em conta que era uma atitude passiva, dir-se-ía de alienação, ao passo que a cultural era ativa, até agressiva. Eleito e investido como presbítero, o cidadão adverso à ordenação, naturalmente, iria manter seu ponto de vista. Portanto, é de admitir-se que o elemento cultural era, na realidade, o mais influente. No que diz respeito à ordenação de ministros ou oficiais na Igreja Primitiva, é de reconhecer-se que, em tese, apesar das variações locais e temporais, há, certamente, plena correspondência ao que hoje vigora em nossas igrejas, respeitadas as diferenças denominacionais.
As mulheres ocupavam quais ofícios ou funções na Igreja Primitiva? Há exemplos? Havia limitações?
Na Igreja Primitiva não se atribuíam a mulheres ofícios e funções caracteristicamente eclesiásticas. As nobres damas que se distinguiram através do Novo Testamento sobressaíram somente por suas virtudes e qualidades pessoais, não por titularidade funcional. Assim, Dorcas é renomada por sua benevolência; Phebe, por serviço e representação; Lídia, por hospitalidade e colaboração com a ação missionária; Priscila, associada ao esposo, Áquila, orientação e instrução; Marta e Maria, as amadas irmãs, afeto, devotamento, carinho; Maria, a mãe de Jesus, que Lucas exalta eloquentemente no “Magnificat”, piedade e devotamento maternal, contudo, não superior em virtude e mérito a outras piedosas mulheres, mesmo porque não possui qualidades acima das demais, meramente agraciada pelo Senhor; sobretudo, Maria Madalena, cujo relacionamento com Jesus tem dado margem a blasfemas insinuações, devotamento, gratidão, reconhecimento o mais profundo. Limitados, mas exemplos de piedade e fé para todos os tempos.
Se é o Espírito que dá dons para a Igreja “como lhe apraz” (1Co 12.11), estaríamos desprezando ou desrespeitando o próprio Espírito ao delimitar categorias para os diversos dons?
Obviamente, desejável seria que os dons do Espírito fossem distribuídos sem delimitações de idade, sexo, classe social, grau de instrução, situação econômica, nacionalidade, cor, língua, origem, raça, visual, aparência. Verdade é que isso não significava que determinado talento ou dom não pudesse ser limitado a uma categoria especial, não extensivo a todos indiferentemente. É o que alegam os que se opõem ao ministério feminino. Há, porém, que perguntar-se: qual razão se pode, legitimamente, invocar para essa exclusão? Que o Espírito assim agiria por mero preconceito ou capricho, seria temerário afirmar. Portanto, não transparece motivação racional para justificar essa medida discricionária. Razão, pois, assiste aos que veem esse posicionamento como desprezo ou desrespeito ao Santo Espírito. Alijar, sumariamente, a mulher da participação no dom ministerial não se afigura ordenança divina, mas, ao contrário, deplorável mostra do preconceito humano.
A proibição da fala de mulheres (1Co 14.34) é paradigmática para a exclusão nos ministérios da igreja ou Paulo estaria tratando de um problema específico, que não deveríamos considerar normativo hoje?
Em 1 Coríntios 14.34, a que se devem associar, também, as Pastorais e o capítulo 5 de Efésios, Paulo não tem em mira o ministério feminino, matéria fora de cogitação na Igreja Primitiva. A injunção paulina visa à honorabilidade, respeitabilidade, dignidade, autoridade do marido, que, nos usos e costumes da época, exigiam absoluto silêncio da mulher nas assembleias e reuniões culturais da Igreja. No versículo seguinte (1Co 14.35), diz o Apóstolo que a mulher falar na Igreja era “vergonhoso”, na tradução de Almeida. O termo grego no texto é “aischrón”, que tem, entre outras, a acepção de indecente, impróprio, indigno, torpe, isto é, que traria opróbrio, desprestígio, desonra ao marido. Não se tratava, pois, de injunção teológica, mas de simples questão, digamos, de etiqueta a salvaguardar a honorabilidade do marido. Os demais autores do Novo Testamento, quanto parece, não foram tão radicais como Paulo. Era ele, como pretendem certos críticos, misógino, ferrenhamente adverso às mulheres? É questão discutível. Mas, não haja dúvida, gradativamente, foi a mulher adquirindo influência e representatividade maior.
A inclusão da mulher nos ministérios da igreja é sinal dos fins dos tempos que começaram com Jesus?
A lenta, mas progressiva inclusão da mulher nos ministérios da igreja é a resultante lógica e natural da operação iluminadora do Espírito Santo a superar limitações e barreiras descabidas que entravam a obra do evangelho. Não se reveste de caráter escatológico, nem é sinal de tempos ou do fim do mundo. É simplesmente, o produto da incoercível dinâmica do evangelho na implantação do reino de Deus ao longo da história. A inclusão da mulher na obra da igreja é um fator positivo e abençoado, que a fortalece e energiza, que deve ser acoroçoada na mais ampla medida, jamais limitada, muito menos reprimida ou contida. Se à mulher conferisse a igreja plena paridade com o homem nas funções eclesiásticas e na obra do evangelho, salta à vista que a implantação do reino de Deus entre nós seria inegavelmente mais vultosa e sólida. Não haja dúvida, quanto maior a participação feminina nas ações da igreja, tanto maiores serão as bênçãos advindas à Causa.
Muitas mulheres, apesar de fazerem um trabalho missionário pioneiro em lugares difíceis, não têm credencial para batizar e celebrar a Santa Ceia. Quando o trabalho se firma, ela vai para outro posto difícil e um obreiro vem para o lugar dela. Isso não é injusto?
No sistema de governo eclesiástico presbiteriano tradicional, segundo o elaborou o patriarca da fé, o escocês John Knox, ao ministro se conferem determinadas prerrogativas especiais, exclusivas, intransferíveis, tais o título de “reverendo”, a ministração dos sacramentos reconhecidos (batismo e Ceia do Senhor), e a impostação da bênção apostólica, aparente resquício de sacerdotalismo estranho ao espírito laicizante da Reforma. Era uma forma refinada e seletiva de concentrar poderes e atribuições eclesiásticas a elementos qualificados e prestigiados na igreja. Os chamados leigos eram excluídos desse privilégio. Não era apenas a mulher, mas toda e qualquer pessoa não ordenada clericalmente. Evangelistas, catequistas, missionários, pregadores ditos leigos, professores, seminaristas e até licenciados, não gozavam dessas atribuições. Por outro lado, estender individualmente a todo obreiro essas funções restritivas ensejaria, sem dúvida, lamentável vulgarização dos mistérios sagrados, competições mesquinhas, personalismos doentios e até exploração por parte de indivíduos oportunistas. Como vaticinava o poeta latino Ovídio, em outro contexto: “minima de malis”, isto é, dos males os menores. Ambas as formas de governo têm inconvenientes inevitáveis, mas a seletiva se afigura menos problemática, logo, é de preferir-se.
Quando a mulher se mostra muito eficiente no ministério, ela pode ser excluída por supostamente ameaçar a liderança masculina. Como evitar tal comportamento antiético?
Mulheres superdotadas, de notório espírito de liderança e notável capacidade de ação, não são raridade em nossas igrejas. Normativamente, elas desenvolvem seus talentos e dons espontaneamente, sem chancela oficial ou entendimento formal com a direção da igreja. Gozam de larga influência e são cercadas de admiração incontestável e o apoio de numeroso círculo de adeptos e simpatizantes. O problema é, especialmente no caso das mais personalistas, que passam a formar uma facção, ou partido, ou, mesmo, um poder paralelo, livre e independente. Obviamente, o pastor, cioso de sua autoridade e posição, vê no caso um desafio à sua liderança e procura neutralizar ou eliminar a rival incômoda; marginalizando-a. O que se requer é cooperação, não competição. Para tanto, ambos precisam ser humildes, sensatos, prudentes, leais, a buscarem o bem da igreja e a glória de Deus. A ação da mulher consagrada será indirimível bênção à igreja e à expansão do evangelho.
Se o ministério pastoral é para ser exercido só por homens, como explicar a participação de mulheres abençoadas e abençoadoras na Igreja de Cristo nos últimos cinquenta anos?
A participação de mulheres em funções eclesiásticas, inclusive no ministério pastoral, nos últimos cinquenta anos, em não poucas denominações, em absoluta paridade com os homens, na Igreja de Cristo ou o chamado mundo evangélico é um fato de excepcional relevância e indizível alcance. Mentalidades menos atualizadas, conservadores radicais, veem o fato como evidente decadência da fé, lamentável secularização ou mundanização da igreja, apostasia e corrupção do evangelho, enquanto espíritos mais atualizados e arrojados o encaram como inegável operação do Espírito Santo na implantação do reino de Deus. Não paira dúvida, a equiparação das mulheres aos homens nas funções eclesiásticas não apenas enriquece o quadro operacional da igreja, dinamiza-o e amplia significativamente o alcance de sua bendita operação.
Dos três maiores grupos cristãos -- Igreja Católica Romana, Igreja Ortodoxa e Igreja Protestante -- qual é o mais ferrenhamente contrário à ordenação feminina?
Dos três maiores grupos que integram a cristandade, em última análise, o mais infenso à ordenação feminina é o Catolicismo Romano. O sacerdócio somente a homens se confere e a pirâmide hierárquica dos níveis superiores é integrada por prelados que jamais podem emitir qualquer opinião discrepante. Embora à mulher se confiram certas funções subalternas, aspirar ao sacerdócio e à prelazia é impensável, quiçá blasfemo. No ortodoxismo, que rompeu com o catolicismo em 1054, tão solene em seus rituais e tocante em seu majestoso cerimonialismo, a lutar pela sobrevivência em uma inibidora política tiranicamente hostil, não haveria clima para questões desta natureza. No protestantismo, ou, melhor, no mundo evangélico da atualidade, a gama de opiniões se estende desde o crasso radicalismo ultraconservador até a fluidez do liberalismo amorfo e caótico. Destarte, na ambivalência protestante, a ordenação feminina vai desde o veto terminante até a prática indiscriminada.
Das denominações históricas brasileiras, qual é a mais fechada à ordenação feminina?
Possivelmente, em nenhuma das denominações históricas brasileiras haja unanimidade, seja favorável, seja desfavorável à ordenação feminina. Em alguns casos, os que discordam da posição oficial se acomodam, passivamente, em outras, reagem, em graus variados, mais ativamente. Assim é que, na atualidade, denominações tais como a Luterana, a Metodista, a Episcopal, a Reformada, a Presbiteriana Independente, a Presbiteriana Unida, admitem o ministério feminino; a Batista e a Congregacional, menos centralizadas, ensejam diferentes posturas, segundo as circunstâncias; as igrejas de cunho conservador ou fundamentalista, opõem-se vigorosamente. A Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB), porém, é, oficialmente, a mais radicalmente infensa. Contudo, acentuado e crescente é o impacto em nossa grei, daqueles que propugnam pela reversão dessa rígida postura.
A proliferação aparentemente desordenada da ordenação feminina, em alguns casos só por serem esposas de pastores, dificulta a análise da questão?
A ordenação feminina às funções eclesiásticas oficiosas nas igrejas do país não suscitou a comoção que se antevia, nem teve o impacto que se alardeava. As mulheres não se alvoroçaram, mostraram-se algo tímidas, comedidas, como que receosas de ferir suscetibilidades masculinas. E a vida das igrejas continuou com plena tranquilidade, sem confrontos nem sobressaltos. E a obra do evangelho no país ganhou o valioso concurso da mulher consagrada e piedosa. O estudioso da questão, arguto e criterioso, não enfrentará óbices em sua análise da matéria.
Algumas denominações, além de não ordenarem mulheres para o ministério pastoral, não ordenam mulheres para o ofício do presbiterato e do diaconato. Qual sua opinião?
A cristandade se polariza entre os exclusivistas, que, sem espasmos de consciência ou pruridos de remorso, só ao homem conferem as prerrogativas e funções eclesiásticas, e os inclusivistas, que, estendem à mulher esses direitos, em paridade com o homem. Têm estes visão mais iluminada, sentimentos mais humanos, consciência mais sensível, propósito mais racional, justo, nobilitante. Não há tergiversar: estes agradam mais a Deus e melhor o servem.
Os que são contrários à ordenação feminina argumentam que, nos três primeiros capítulos do livro de Gênesis, em especial 2.18, fica claro que a mulher foi criada como simples auxiliar do homem e nunca será igual em autoridade e gestão. O que dizer?
Exegetas de grande nomeada, reconhecida competência, indiscutível probidade, e teólogos da mais elevada eminência, inegável saber e nobreza de espírito, esposam esse parecer, com distinção e dignidade incontestes. Contudo, é preciso reconhecer que, no âmbito dos que deles discordam há figuras do mais sólido gabarito e inegável saber, de probidade inatacável. Tal sendo a polaridade, um impasse que se afigura insolúvel, dir-se-á que é uma questão aberta, que requer neutralidade ou preferência puramente pessoal, não lógica ou racional. Isso, entretanto, não deve impedir que se busque adequada e procedente solução. O fulcro da questão é o teor de Gênesis 2.18. O texto bíblico retrata a mulher como “ezer Keneghdô” que nosso Almeida, versão atualizada e corrigida, traduz como “auxiliadora que lhe seja idônea”, fraseado sonoro, até elegante... mas, oracular, enigmático, ambivalente, vago, indefinido, tautológico. Dispusesse dos recursos que se fazem de mister, gostaria de examinar a Septuaginta, a Vulgata, as versões todas que nos fossem acessíveis, no afã de apreciar como traduziram a expressão hebraica e que sentido lhe atribuíram. O termo hebraico “ezer” é masculino, mais apropriadamente expresso, em acepção substantiva, não adjetiva, por “auxílio”, “ajuda”, “socorro”, tradução que, apropriadamente elimina o teor subordinativo, inferiorizante da versão corrente, como se pode perceber, com clareza, no sugestivo título “Ebenezer”, literalmente “pedra de auxílio”, jamais “pedra auxiliadora”. Por sua vez, o tríptico de termos hebraicos associados significa, literalmente: “como diante dele”, frase ambígua, que, naturalmente, se presta a variadas acepções. Todavia, como o próprio texto bíblico declara que, dentre os seres criados, não havia comparsa ou companheira à altura do homem, Deus formou a mulher e a deu ao homem por esposa e “auxílio”, complementaridade, completude, complemento, totalização de um todo a integrar, adição de parcela a somar, de sorte que homem e mulher conjugados constituem uma unidade integrada, não uma dualidade díspar, assimétrica e desigual. Nessa perspectiva, homem e mulher formam um elo, uno e indivisível, de plenos direitos e atribuições em pé de igualdade, respeitadas as diferenças, que não criam subordinação, desigualdade, redução de atribuições. Cada um desempenhará as funções a que a aptidão e a vocação lhe façam jus, pela graça de Deus. Destarte, a argumentação contrária à ordenação feminina, baseada nesta porção de Gênesis se mostra inteiramente irrelevante, quando muito mera analogia, aliás, falaciosa, que não há invocar como base de argumentação lógica. Ademais, forçoso é reconhecer que o texto do Gênesis não se refere a posições e encargos eclesiásticos, questão a decidir-se, em outras bases. No transcurso deste questionário, suficientes ponderações evidenciaram que não há impedimento escriturístico a que se atribuam à mulher funções eclesiásticas hoje privativas do homem, medida que trará farta messe de bênçãos à igreja, além de justa, igualitária, sem preconceito. Com júbilo e gratidão, nossas igrejas celebrarão o precioso concurso de nossas ministras e pastoras, presbíteras e diaconisas, piedosas, reverentes e consagradas a servir ao Senhor, como, com reconhecido êxito, vem acontecendo em outras denominações evangélicas.
A Igreja Presbiteriana do Brasil, hoje tão resistente à ideia de ordenação feminina, acabará aderindo ao que tanto se opõe?
Tudo parece mostrar que essa é a inevitável marcha dos acontecimentos, e a IPB, mais cedo ou mais tarde, terá de ceder à pressão dos fatos. E quanto mais cedo, tanto melhor. Então, una e coesa, militará a IPB, ao lado de tantas outras denominações na bendita cruzada da fé, no sagrado empenho da implantação do reino de Deus entre os homens, a maior necessidade deste mundo escravizado pelo mal.
quinta-feira, 3 de março de 2011
DIA INTERNACIONAL DA MULHER 2011 - PODE SER ATÉ PASTORA!
Neste Dia Internacional da Mulher, nossa homenagem a todas as mulheres que, corajosamente, têm atendido ao chamado de Deus para pastorear a sua igreja. Que o Senhor sustente a todas que já estão no ministério e também aquelas que virão.
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