AS FILHAS DE ZELOFEADE
* Pr. Fernando Cintra
Desde que o debate a respeito de ordenação feminina começou, temos visto alguns árduos defensores da criação uma nova Ordem, no caso de pastoras. Essa nova Ordem seria para a integração e ações das pastoras batistas. Ela poderia ser só de pastoras, ou também aceitaria pastores batistas que, não concordando com as decisões da OPBB, quisessem se filiar a uma Ordem onde a questão do preconceito não fosse tão visível.
Também ao longo deste assunto sobre ordenação pastoral de mulheres temos ouvido, e ouvimos muito na CBB realizada em Brasília, pessoas que insistentemente querem que as pastoras tomem esta decisão.
Mas o fato é que diante de tantas vozes a decisão das pastoras, pelo menos no momento, à partir do I Encontro de Pastoras da CBB realizado na IB da Asa Sul, não foi neste sentido, mas em caminhar numa rota em que realmente a OPBB as aceite como membros da agremiação.
Certo ou errado? Antes de responder essa pergunta quero deixar claro que a resposta não sou eu, homem-pastor, que devo dar. O grito da fragilidade deve ser ecoado e a decisão deve ser também das pastoras, com base no que traz esperança e um futuro de legitimidade e dignidade .
Mas trago aqui minha resposta como um apoio de alguém que é companheiro nesta luta por direitos.
Certo. Elas tomaram a melhor decisão. Não a mais rápida, mas a que reflete as suas próprias dores e caminhada.
Por que?
Pelo princípio de cidadania que Deus deixou em sua Palavra que tanto faz questão de defender e que a igreja e suas instituições deve se empenhar em cumprir. O princípio da cidadania está relacionado aos direitos e aos deveres do cidadão, para com a comunidade na qual está inserido.
Biblicamente, sabemos que, diante de Deus, homem e mulher são iguais, tendo ambos os mesmos direitos e deveres, pois foram criados à imagem e semelhança do Senhor. Se, diante de Deus, o Criador, não há acepção de gêneros, porque as criaturas se acham no direito de fazer diferenciação entre si? A Igreja é uma comunidade formada de cidadãos de ambos os gêneros que têm a responsabilidade de manter e preservar a mesma. Por isso, homens e mulheres devem permanecer unidos no sentido de dar continuidade ao Reino até o momento da volta de Cristo. A partir desta perspectiva, os cristãos não podem mudar o foco original do princípio de igualdade estabelecido no momento da criação para justificar a dominação de um gênero sobre o outro. No passado bíblico, quando da distribuição das terras entre as 12 tribos de Israel, as filhas de Zelofeade (Números 27:1-7) reivindicaram o direito de herança que lhes foi negado por serem mulheres. Elas lutaram pelo direito de cidadania e os seus clamores motivaram a intervenção de Deus, fazendo com que as mesmas fossem beneficiadas, o que mostra não apenas a Moisés e ao povo de Israel, mas também a nós hoje, que o Reino de Deus é baseado na justiça. Sendo assim, as Filhas de Zelofeade, nossas pastoras atuais da CBB, tomaram uma decisão coerente. É contraditório cobrar a igualdade social e, ao mesmo tempo, negar a igualdade religiosa criando uma outra Ordem, sem antes tentar por todos os caminhos um diálogo sadio, ousado em que se resolva esta situação sem separação, mas por vias da união.
É uma questão de cidadania estarem inseridas na OPBB. É uma questão de buscar os direitos e a justiça tão anunciada por pregadores batistas.
Que a OPBB reveja sua votação quanto a essa postura injusta em relação às pastoras, a começar por seus líderes, de quem o Senhor pedirá contas. Que o movimento não seja somente delas, mas de nós homens-pastores para que Deus se alegre em ver que na terra ainda há aqueles que não se conformam com a injustiça alheia.
Fernando Cintra
www.ibacnaweb.com Blog: http://fernandocintra.blogspot.com/
Pra. Zenilda, graça e paz. Me chamo Gelson e sou missionario da JMM na España desde 1993. Conheci ao pr. Fernando Cintra na nossa juventude e depois perdi o contacto. Meu email é gelsonAFN@gmail.com se ele pudesse entrar en contacto, agradeceria muito! Um forte abrazo. Pr. Gelson Nogueira
ResponderExcluirDiscordo da criação de uma "nova ordem". Primeiro: é claro que embora entenda a situação, alegarão rebeldia, motim etc e creio que hoje estamos mais perto da ordenação feminina que há alguns anos atrás. Segundo: a OPBB continuará não aceitando a ordenação, o chamado e a titularidade destas mulheres e manipularão as igrejas no sentido de não aceitar em seus púlpitos certas mulheres ou farão questão de não chamá-las de pastoras com o objetivo de colocá-las em seu lugar.
ResponderExcluirAinda não fui consagrada ao ministério mas, muitos membros da igreja da qual sou membro me chamam de pastora. Um jovem foi a igreja me procurar e perguntou: Onde está a pastora? Disseram pra ele o seguinte: "Isto aqui é uma igreja batista. Não tem pastora aqui não!" Há alguns anos atrás nem teriam feito esta pergunta!!!! Mas em tempos modernos tem quem dê esta reposta!!!!! Só Jesus na causa!!!!!