BLOG DA PASTORA ZENILDA


Pra. Zenilda Reggiani Cintra
As opiniões deste blog refletem a minha visão e não, necessariamente, a de outras pastoras da CBB.
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sábado, 1 de outubro de 2016

PASTORAS - SOLIDARIEDADE, APOIO E ENCORAJAMENTO

Como uma das líderes informais, juntamente com a Pra. Silvia Nogueira, ou seja, uma facilitadora entre as pastoras e vocacionadas para o ministério pastoral das igrejas batistas da Convenção Batista Brasileira, tenho sido confrontada, às vezes com amor e outras não, com o fato de estarmos agregando as pastoras e vocacionadas e promovendo ações diretamente dirigidas a elas como os Congressos #EuDisseSim, já realizados em CamposRJ2015 e VianaES2016.

As razões dessa confrontação é o fato de que alguns pastores
Congresso #EuDisseSim2016VianaES
acham que qualquer ação das pastoras deve ter a tutela da OPBB. Isso ocorre desde o início, especialmente a partir de 2007, quando a OPBB votou em Florianópolis que não filiaria pastoras. Um ano depois, 2008, em São Luiz, que as filiações só seriam pela OPBB "nacional". Três anos depois, 2010,  em Cuiabá, decidiu que revogaria as filiações daquelas que entraram pelas seções que até então aceitavam pastoras, o que a assembleia não aceitou. Sete anos depois, 2014, em João Pessoa, que cada sessão poderia decidir se filiaria ou não as pastoras. 
Com isso, o quadro que temos hoje é o de 33 seções da OPBB, das quais oito votaram pela filiação, 11 contra e 14 ainda não votaram.


Alguns pastores, e até pastoras, têm a visão, ufanista no meu ponto de vista, de que  a questão das pastoras já está superada. Agora é só esperar até que todas sejam filiadas à OPBB. É só as pastoras trabalharem.  As pastoras sempre trabalharam! 

Uma mulher, para ser consagrada ao ministério pastoral, na maioria das vezes, já tem uma idade mais adulta e precisa ter no seu currículo uma excelente folha de serviço nas igrejas, bem ao contrário da maioria dos homens. Apesar da dedicação das mulheres vocacionadas, uma parcela significativa dos pastores e membros das igrejas não aceita que mulheres tenham o título de pastora. Elas podem fazer tudo, menos terem o reconhecimento institucional, com o concílio e consagração. É mais fácil ter um ministério do que o reconhecimento. 


"Não precisam ser reconhecidas porque o reconhecimento vem de Deus", ouvimos repetidamente. Então porque homens são reconhecidos e consagrados como pastores? 

Diante desse quadro, tenho algumas convicções que movem as ações em direção às pastoras e aquelas dirigidas às igrejas e denominação. Essas convicções e ações não são só minhas, mas de um grupo significativo de pastoras que tem ganhado força que vem do Senhor e agido em seus campos de ação.


1. As pastoras e vocacionadas se unem para comunhão e oração, conhecer os ministérios umas das outras, encorajar e ajudar umas as outras, apoiar as vocações ao ministério pastoral junto às igrejas e seminários, incentivar o empenho para o direito de filiação de todas as pastoras à OPBB,  além de construir visibilidade denominacional em sentido amplo;

2. Não aceitamos insinuações e acusações que tenham por objetivo desvirtuar os propósitos da nossa aproximação e agregação ou coloquem em duvida a idoneidade das pastoras;


3. Nossa convicção é que somos pastoras e vocacionadas das igrejas batistas da CBB. Como pastoras, estamos sob a autoridade de Deus, em primeiro lugar, e da igreja em segundo. Incentivamos a filiação à OPBB, para aquelas que podem fazer isso, já que somente cerca de 25% das seções filia pastoras (8 seções de 33!);



4. Não aceitamos decisões contrárias à filiação e sempre lutaremos, com as armas da luz, para que todas as pastoras possam filiar-se, porque isso facilita o ministério e o trânsito eclesiástico e denominacional das pastoras, na nossa visão;



Congresso #EuDisseSim2015CamposRJ
5. Não aceitamos que nenhuma instituição queira cercear qualquer movimento legítimo das pastoras da CBB. Entendemos por movimento os objetivos descritos no item 1.

6. Respeitamos o direito de qualquer Pastora Batista da CBB de não querer filiar-se à OPBB, como também acontece com os pastores, e entendemos que isso não interfere na legitimidade do ministério, desde que ela esteja filiada a uma igreja batista da Convenção Batista Brasileira;


7. Entendemos que neste momento, quando a OPBB ainda só aceita uma parte das pastoras, a realização de Congressos e outras ações são indispensáveis para o fortalecimento de cada uma e a comunhão e solidariedade entre nós. O futuro, quando todas as pastoras tiverem o direito de se filiarem à OPBB, Deus nos dirigirá.


8. Queremos trabalhar em parceria, e não tutela, com os pastores. Naturalmente, que isso não significa que as pastoras trabalharão independentes quando estiverem em ministérios auxiliares, como também acontece com os homens. Cada um, e cada uma, deve saber a função que desempenha no Reino de Deus e ter sabedoria para fazer o melhor. No entanto, no que diz respeito à vocações e trânsito denominacional, pastoras e pastores devem respeitar-se mutuamente como pessoas igualmente chamadas por Deus.

9. Incentivamos as pastoras ao envolvimento Denominacional. O isolamento não é bom nem para as pastoras e nem para as igrejas. Para isso, elas precisam dispor-se, mas facilita muito quando elas são acolhidas e respeitadas em qualquer ambiente em que estejam e são tratadas de acordo com a sua função, como os homens são tratados;


10. Desejamos que os seminários batistas revejam os seus currículos no que diz respeito ao ministério pastoral feminino. É inadmissível que, a esta altura, quando já temos cerca de 250 pastoras, das quais cerca de 50 já são filiadas à OPBB, que os seminários batistas e faculdades trabalhem contra a vocação feminina. No mínimo, o que se espera, é que alunos e alunas sejam apresentados às diversas correntes de pensamento e formem sua própria opinião e nunca que o assunto seja tratado desrespeitosamente e jocosamente.

11. Reconhecemos que já temos tido avanço na questão ministério pastoral feminino na Denominação. Em muitos lugares as pastoras são acolhidas respeitosamente e não têm dificuldade de trabalhar, mesmo em seções que votaram contra. A resistência ao ministério das pastoras já tem diminuído bastante, mas falta muito caminho a percorrer. Louvamos a Deus pelos pastores, centenas deles pelo Brasil, que não somente apoiam o ministério pastoral feminino, como também reconhecem e levam suas igrejas a consagrar as vocacionadas. Agradecemos também as convenções e seções da OPBB Fluminense e do Espirito Santo que respeitaram e trataram com muito cuidado os Congressos das Pastoras,#EuDisseSim, de 2015 e 2016. Louvamos a Deus por suas lideranças. 

12. Ainda há aqueles que querem descredenciar as pastoras, lançando dúvidas sobre a consagração e legitimidade delas no ministério, principalmente no que se refere a mim com o objetivo de enfraquecer a união das pastoras. Como é de conhecimento de muitos, fui consagrada em 04 de abril 2004, pela Igreja Batista Curuçá, Santo André, SP, após concílio e aprovação em assembleia pela igreja. Resolvemos não chamar o concílio "denominacional", uma vez que a seção de São Paulo era extremamente contra o ministério pastoral feminino e isso atrairia muita perseguição para a igreja. Sempre estive disposta, para filiar-me à OPBB, de passar pelo concílio, mas aqui em Brasília, DF, onde estamos desde 2011, a seção também não aceitou a filiação. A Igreja Batista Esperança, em Taguatinga, graças a Deus, é uma excelente igreja e deixa-me trabalhar livremente como pastora, mas não vê necessidade do concílio denominacional a não ser quando a sessão do DF aceitar a filiação. Não sou menos pastora que as demais, uma vez que uma igreja reconheceu o meu chamado e me consagrou ao ministério, cumprindo todas os critérios possíveis.Só não cumpri os critérios exigidos para a filiação à OPBB, o que espero que um dia seja possível. Como eu, temos muitas pastoras que não realizaram o concílio denominacional ou que o fizeram sem atingir o número de sete pastores filiados em dia com as mensalidades da OPBB, para que seu concílio seja aceito! Sem contar com aquelas que passaram por concílio desde 1999, quando os critérios eram outros, e também não são consideradas "aptas"!

Como todos podem deduzir, o assunto Ministério Pastoral Feminino e Filiação à OPBB é difícil e muitas vezes traz confusão. Seria muito bom se a CBB e a OPBB se pronunciassem oficialmente nos diversos meios divulgando decisões e pareceres, o que facilitaria o entendimento de pastores, líderes e igrejas.

Parafraseando Atos 5.38,39:"E agora digo-vos: Dai de mão a estas 'mulheres', e deixai-as, porque, se este conselho ou esta obra é de 'mulheres', se desfará. Mas, se é de Deus, não podereis desfazê-la; para que não aconteça serdes também achados combatendo contra Deus".

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